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Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
Dois cenários opostos para a soja gaúcha
 
Dependendo da localidade no Rio Grande do Sul, há sentimentos distintos quanto à lavoura de soja, que entra em sua reta final em março. Na região norte do Estado, por exemplo, o visual da produção impressiona e confirma o bom potencial produtivo até o momento. Mas o mesmo não pode ser dito da metade sul, que sofre com estiagens e causa apreensão entre os agricultores. “É uma grande safra na região consolidada e outra bastante ruim na nova fronteira agrícola”, resume o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz.
Ou seja, é consenso entre quem acompanha a cultura que a safra 2017/2018 não repetirá a excepcional condição do ciclo anterior, quando foram produzidas 18,7 milhões de toneladas do grão em área de 5,5 milhões de hectares - produtividade média de 3.382 quilos por hectare. Apesar do espaço da soja ter sido ampliado em cerca de 1,4% no Rio Grande do Sul, o volume colhido deve ser menor.
De acordo com informativo recente da Emater/RS, há significativo número de lavouras com redução acentuada no potencial produtivo na região mais afetada. Em Pelotas, por exemplo, a produção encolheu mais de 18% com a falta de chuva, conforme relatório preliminar de perdas da entidade - que levou em conta apenas a primeira quinzena de fevereiro. O documento informa ainda que as regiões da Campanha e Zona Sul representam 18% do total de soja e 13% do milho cultivados no Estado.
Quem lida com um clima favorável ao desenvolvimento da cultura, por outro lado, tem motivos para ficar otimista. “A soja teve valorização forte no preço nos últimos dias, em razão da expectativa de perda da safra argentina e de incertezas quanto à produção no Centro-Oeste”, elabora da Luz. Ao final de fevereiro, o saco de 60 quilos do grão era negociado a R$ 77,50 no Porto de Rio Grande, conforme o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP
Na Argentina, a seca pode recuar a 43 milhões de toneladas a produção, contra 58 milhões de toneladas em 2016/2017. Já no Centro-Oeste é o excesso de precipitação que compromete a colheita do grão, com relatos de produtores até abandonando a cultura e plantando milho safrinha com atraso.
Essa possível melhor remuneração anima o setor. Como comparativo, o preço médio da commodity foi de pouco mais de R$ 60 no ano passado, cerca de 16% mais baixo do que no ano anterior. Diante ainda da alta nos custos de produção, a rentabilidade com a cultura no Rio Grande do Sul caiu 32% no período, ficando em R$ 398 por hectare. Cerca de 60% da área estimada com a cultura pela Emater/RS estava em fase de enchimento de grãos até fevereiro.
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