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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Soja: mercado anima produtores que não tiveram quebra
 
Aberta oficialmente no município de Tupanciretã, em 6 de abril, com a presença do vice-presidente da Farsul, Elmar Konrad, a colheita gaúcha da soja avançou em ritmo acelerado ao longo do mês, beneficiada pelo tempo favorável na maioria das regiões. Segundo informativo semanal da Emater/RS, a etapa estava concluída em 90% da área ao final de abril, com previsão de término das atividades até a primeira semana de maio. A lavoura de soja supera 5,7 milhões de hectares no Rio Grande do Sul e deve gerar cerca de 17 milhões de toneladas na safra 2017/2018, numa produtividade média próxima a 3 mil quilos por hectare.
O problema é que nem todos os produtores estão colhendo bem: há um contraste significativo entre aqueles que contaram com uma regularidade no ciclo e outros que enfrentaram problemas climáticos, que vão desde o excesso de chuva no plantio até longos períodos de seca. “Temos duas safras completamente diferentes no Estado. Onde choveu, a lavoura apresenta bom nível de produtividade, que aliado aos atuais preços de mercado, anima o produtor. Mas para aqueles que tiveram problemas, a situação é bastante delicada”, afirma o coordenador das comissões de grãos da Farsul, Jorge Rodrigues.
A disparidade, por vezes, aparece dentro de um mesmo município, relata o dirigente. E vários deles decretaram situação de emergência e estado de calamidade pública nos meses recentes, por conta da estiagem. A ação é importante para dar encaminhamentos que facilitem a vida do produtor, como a prorrogação dos vencimentos nas operações de custeio e investimento, lembra Rodrigues. “Dificilmente os produtores mais prejudicados terão condições de cumprir os prazos”, alerta.
Para a Emater/RS, a maior redução de produtividade aconteceu nas regiões da Campanha e na Zona Sul, que representam cerca de 18% do total da produção do grão no Estado. Em São Gabriel, por exemplo, o rendimento médio é de 1,6 mil quilos por hectare em área de 101 mil hectares, 30% menos que o esperado. Desempenho quase idêntico em Jaguarão, no Sul, que apresenta 1,7 mil quilos por hectare em área de 45 mil hectares, quebra de 31% no índice. Os dois municípios são líderes de plantio da soja nas respectivas regiões.
É o oposto do registrado em municípios localizados mais ao norte do Estado, como Palmeira das Missões. Por lá, a média registrada pela Emater/RS nos primeiros dias de colheita foi de 4,3 mil quilos por hectare, o equivalente a 71,6 sacos por hectare, acréscimo de 52% em relação às estimativas iniciais para o local na safra. A lavoura de soja do município é de, aproximadamente, 90 mil hectares. Outros exemplos de locais com grande produção da oleaginosa e que puxaram a média estadual para cima nesse primeiro levantamento foram Júlio de Castilhos, Tupanciretã, São Miguel das Missões, Cruz Alta, Santa Bárbara do Sul, Vacaria, Lagoa Vermelha, Ijuí e Espumoso, entre outros.
Como resultado desse cenário distinto, a produção total da safra deve apresentar baixa de 8% em relação à safra recorde gaúcha do ano passado, ainda conforme a Emater/RS, quando foram colhidas 18,6 milhões de toneladas. A produtividade média deve cair 10%, pelo levantamento apresentado na Fenasoja, de Santa Rosa, que marca o encerramento oficial da colheita, em 27 de abril. Apesar da redução, o índice é o segundo maior da década, somente atrás da média da safra anterior.
Quanto à valorização da commodity, os produtores negociaram o saco de 60 quilos da soja no porto de Rio Grande a cerca de R$ 84, em média, no mês de abril - cerca de 6% maior que no mês anterior e 13% mais que no mesmo período de 2017. A alta ocorreu em função do avanço do dólar, como explica a economista do Sistema Farsul Danielle Guimarães. “O maior impacto é pelo câmbio, que saiu de R$ 3,30 para quase R$ 3,50 em menos de um mês”, destaca. Já a quebra de safra na Argentina teria contribuído para a evolução do preço da soja no mercado internacional, também elevando as cotações.
A melhora no preço é nítida nos primeiros meses deste ano, cenário completamente oposto ao que ocorreu no ano passado, quando houve queda brusca na remuneração pela soja em Rio Grande de janeiro a abril. Isso explica o incremento de 83,5% no embarque da soja em grãos no primeiro trimestre deste ano (1,89 milhões de toneladas) em comparação ao mesmo período de 2017. Resta saber se o produtor terá produto para vender e se o complexo portuário dará conta de escoar os grandes volumes num momento de grande atratividade do mercado externo.
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