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Nº 418 - ANO 32 - JULHO DE 2018
 
Inauguradas as primeiras delegacias de crimes rurais
 
As primeiras sedes das Delegacias Especializadas na Repressão de Crimes Rurais e Abigeato (Decrabs) foram inauguradas no mês de abril, em Bagé (13) e Santiago (24). São duas novas unidades, de um total de cinco, que agora trabalham especificamente para prevenção e combate dos principais delitos no campo. Anunciadas pelo governador José Ivo Sartori na 40ª Expointer, em agosto do ano passado, eram uma forte demanda da Farsul e dos sindicatos rurais gaúchos, que inclusive contribuíram para o início das atividades com a doação de itens de infraestrutura para os locais.
Para o presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, as unidades são importantes para o evolução da força-tarefa de combate ao abigeato e outros crimes rurais, que atua há dois anos no interior do Estado, com bons resultados. Dados repassados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado indicam redução de 23% nas ocorrências entre 2016 e 2017: passaram de 10,4 mil registros para 7,9 mil. E os dois primeiros semestres do ano ainda apresentam recuo de 30,8% em relação a igual período do ano passado, num total de 832 casos.
Além disso, até o final do ano passado, o grupo teria sido responsável por 192 prisões, bem como a desarticulação de 26 quadrilhas, a recuperação de 963 animais, sendo 461 devolvidos às vítimas, e a apreensão de 78 armas e cerca de 40 toneladas de carne. “São números expressivos que nos dão alento e podem ser ainda melhores, à medida que as delegacias estejam todas instaladas e trabalhem em sua plenitude, num alto nível de informação e inteligência”, destaca o presidente da Comissão de Assuntos Fundiários da Farsul, Paulo Ricardo Dias. A própria Polícia Civil reconhece que ainda há o que avançar em números absolutos. São 13 ocorrências por dia no Estado neste ano.
Segundo Dias, a aproximação do setor com os órgãos de segurança aconteceu a partir da constatação de quadrilhas especializadas nesse tipo de crime, que é histórico, em território gaúcho. “Precisávamos de uma ação também especializada por parte do poder público”, lembra ele. Além disso, pelo fato de os praticantes desse furto dificilmente serem pegos em flagrante, o trabalho “depende de investigação, de perícia e de um esquema de inteligência bem montado”. Outra conquista recente foi a aprovação da lei que duplica a pena mínima para abigeatários e estende a responsabilidade para quem transporta, vende, armazena ou participa de alguma forma dessa cadeia.
Dias também destaca que o abigeato, mais do que trazer prejuízos econômicos aos produtores, constitui um problema de saúde pública. Isso porque os produtos são abatidos e transportados em péssimas condições, além de que os animais podem estar em tratamento de saúde e/ou período de carência, tornando a carne imprópria para o consumo humano. “A carne subtraída do campo sempre é vendida. Cabe a todos nós ajudarmos no trabalho de investigação, informando onde o produto está muito barato, para que seja verificada a procedência”, reforça.
As delegacias especializadas são subordinadas ao Departamento de Polícia do Interior (DPI), e a atuação não se restringe apenas ao município base, mas toda a região. Ainda serão inauguradas outra unidade principal, em Camaquã, e outras duas complementares, em Cruz Alta e Rosário do Sul.
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