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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Governo abre consulta sobre critérios de qualidade do leite
 
O setor de lácteos gaúcho está mobilizado para participar da consulta pública aberta pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 26 de abril, a fim de aperfeiçoar as normas que regulam o produto. Tratam-se das portarias 38 e 39 do órgão federal, publicadas recentemente no Diário Oficial da União, que substituem a Instrução Normativa (IN) 62 e traz parâmetros importantes de qualidade do produto, como limites para a Contagem de Células Somáticas (CCS) e Contagem de Bactérias (CBT). O prazo é de 60 dias.
De acordo com o presidente da Comissão do Leite da Farsul, Jorge Rodrigues, o debate deve contar com a participação do maior número possível de lideranças do setor. Isso porque as mudanças podem trazer melhor condição de renda ao produtor, que há meses enfrenta o desafio de permanecer na atividade, desde que sejam condizentes com a realidade da cadeia produtiva. “Chamamos a atenção de todos, porque precisamos nos manifestar em favor de uma revisão e adequação dos índices de qualidade”, afirma.
A proposta de reformulação da IN 62 será o foco dos debates, por exemplo, na próxima reunião da Aliança Láctea Sul Brasileira, que reúne entidades do setor e secretários da Agricultura dos três estados da Região Sul. Está marcada para 8 de maio, em Chapecó (SC). O grupo aborda a necessidade de avaliação dos parâmetros técnicos do leite há pelo menos três anos.
As principais modificações feitas pelas portarias, segundo o Mapa, são a redução da temperatura máxima do leite cru de 10ºC para 7ºC (aumentando o rigor); a exigência de análise, no laticínio, para verificação de presença de antibiótico ou produtos destinados a fraudar o leite; a exigência de controle microbiológico no produto recebido e estocado no laticínio; e a necessidade de capacitação dos técnicos das indústrias pela Rede Brasileira de Laboratórios de Controle de Qualidade de Leite (RBQL), com foco na assistência aos produtores e na melhoria da coleta.
As entidades devem ainda se manifestar sobre pontos que foram mantidos, como os atuais padrões de CCS e CBT. Nesse caso, elas defendem índices equivalentes aos padrões dos Estados Unidos. O Mapa informou que novas avaliações serão realizadas a cada dois anos, refinando parâmetros e elevando as exigências, porém sem adotar calendário rígido como era feito até então.

Recuperação
Ainda em período de entressafra, o leite deve continuar em recuperação de preço em abril. O Conseleite projeta o valor de referência para o litro em R$ 1,0579, o que representaria alta de 2,2% em relação ao consolidado de março (R$ 1,0351). Este, aliás, ficou 4,5% acima do valor projetado para o mês, surpreendendo o mercado. As estimativas do grupo levam em conta os primeiros 10 dias do mês em curso.
Caso o índice de abril se confirme, o produto acumulará alta de 11,2% neste ano, chegando próximo de reverter a queda acumulada em 2017, o pior dos últimos 12 anos para o setor lácteo. Ele estaria próximo ao patamar de abril do ano passado, quando o preço de referência do litro do leite foi de R$ 1,0512. Corrigindo pela inflação, a projeção atual é apenas 0,13% menor. “O mercado está regulado. Acreditamos que volte a patamares remuneratórios ao produtor ainda neste semestre”, avalia Rodrigues.
Boas notícias corroboram com essa perspectiva, como o fato de que a entressafra está impactando menos as cotações neste ano do que o normal. De acordo com o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, a captação teve baixa de apenas 15% em relação à média do Estado, de 12,6 milhões de litros por dia. Enquanto isso, a importação do leite em pó foi 56% menor no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. O alerta, por outro lado, é sobre o valor do leite UHT, que ainda está abaixo de outros anos e configura o 80% da produção do Rio Grande do Sul. “Isso nos preocupa porque tem impacto forte na indústria e no produtor”, admite. No geral, o mês de maio deve ser marcado por estabilidade de produção nos tambos gaúchos e aumento do consumo das famílias, com a chegada do frio.
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