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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Porto de Rio Grande fica paralisado em plena safra por conta do calado
 
Por cinco dias, navios carregados de soja não puderam sair do porto de Rio Grande em abril. O motivo da paralisação foi a falta de dragagem de manutenção do calado, que consiste na retirada de sedimentos que se acumulam naturalmente no fundo do canal. Ela deveria ser anual, mas não é feita desde 2013. O complexo opera atualmente em 42 pés, quatro a menos que o normal.
A cena, que não é um caso isolado, traz enormes preocupações em plena época de escoamento de safra. A Farsul e outras entidades vêm há anos alertando para a urgência em resolver a questão, mas nenhuma solução efetiva é apresentada pelo poder público. Lembrando que é um problema que afeta gravemente os produtores rurais, pois resulta em maior custo de frete por tonelada.
Às vésperas do novo ciclo de verão, a Federação cobrou de forma explícita o governo estadual, que prometeu novidades em breve. Planos para uma dragagem emergencial foram feitos, reuniões sucederam outras, foi debatido um termo para facilitar a emissão de licenciamento pelo Ibama, mas nada aconteceu. E o mais recente prejuízo irritou os produtores. “Não ter acesso a um dos portos mais importantes do país em plena safra, por falta de manutenção de calado, é no mínimo ineficiência de gestão”, afirma o diretor da Farsul Fábio Avancini Rodrigues. O dirigente da Farsul destaca que a interrupção de saída de embarcações do porto gera uma reação em cadeia adversa, comprometendo várias etapas do processo no local, como a descarga de caminhões e o carregamento dos navios.
Além disso, a tendência é de a situação ficar ainda mais grave nos próximos dias, considerando que grande parte da safra a ser exportada ainda não foi embarcada para o exterior. “O assoreamento é contínuo”, lembra Rodrigues. Ao contrário do trabalho de retirada dos sedimentos e da aparente atenção do setor público ao problema.
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