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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Leilões de arroz mostram os primeiros resultados
 
A decisão de realizar leilões para estimular o escoamento dos estoques de arroz no Estado, que superavam 1 milhão de toneladas no início da colheita da nova safra, se mostra cada vez mais acertada para evitar o agravamento da crise que enfrentam os produtores do grão. Em abril, a cotação do produto acumulou alta de pouco mais de 3%, conforme o indicador do arroz em casca Esalq/Senar-RS, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP, ultrapassando R$ 36 pelo saco de quilos pela primeira vez desde janeiro deste ano. Ainda tímida frente às necessidades do produtor, a leve recuperação tem a ver tanto com o tamanho menor da colheita quanto com os pregões, que enxugaram parte da oferta no mercado interno, avalia o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz.
Outro dado que reforça o impacto da atuação é o crescimento da exportação de arroz gaúcho nos três primeiros meses do ano. De acordo com relatório mensal da assessoria econômica do Sistema Farsul, o volume escoado ao exterior foi de 139,5 mil toneladas no período, alta de 376% em volume em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Em receita, o crescimento foi de 354%. “Os leilões não respondem por todo o crescimento, mas sem dúvida influenciaram a partir de março”, destaca da Luz. O incremento nas vendas também é explicado pela quebra de produção dos Estados Unidos e a própria desvalorização do produto no mercado brasileiro.
Para o presidente da Comissão do Arroz da Farsul, Francisco Schardong, os mecanismos executados pelo pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), atendendo a pedido da entidade, foram fundamentais, sobretudo, para evitar uma queda ainda maior no preço do grão, que há semanas está abaixo do mínimo. Ou seja, reduziram o prejuízo. Daqui para frente, no entanto, é possível que o mercado reaja de forma mais contundente. “Após os últimos acertos da indústria arrozeira com os produtores financiados por ela (sob circunstâncias desfavoráveis de preço), teremos condições de avaliar a perspectiva real de compra e qual será o comportamento do mercado”. Também faz questão de lembrar que as soluções apresentadas pelo governo federal “são apenas paliativas, frente a uma enfermidade bastante antiga”, e que é preciso atentar para o endividamento crescente no setor e a exclusão dos produtores do sistema de crédito oficial.
Foram realizadas seis operações pela Conab em 2018, com oferta de 754 mil toneladas e venda de 460 mil toneladas, somando os mecanismos de PEP (Prêmio para Escoamento de Produto) e Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural). Novo leilão de Pepro, para 51 mil toneladas do produto, foi marcado para 3 de abril, e outros podem seguir dentro dessa modalidade. A Farsul pleiteia, junto ao Mapa, a elevação do prêmio de R$ 3,70 para R$ 6,65 à região Fronteira Oeste, de forma estimular a participação dos produtores. São necessários R$ 5 apenas para levar a carga até o porto de Rio Grande.
Além disso, o CIEP (Conselho Interministerial de Estoques Públicos), grupo que reúne representantes dos ministérios da Agricultura, Fazenda e Casa Civil, recentemente autorizou a compra de até 70 mil toneladas de arroz em casca, sob o mecanismo de Aquisição do Governo Federal (AGF). Conforme nota, a decisão “atende reivindicação do setor orizícola gaúcho, responsável por cerca de 75% da produção nacional e que deve produzir, nesta safra, cerca de 8 milhões de toneladas de arroz”. Schardong avalia a medida como urgente. “Precisamos imediatamente dar condições ao produtor de colocar dinheiro no bolso”.
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