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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Vendas rápidas nas feiras de outono
 
Foi dada a largada para a temporada de outono das feiras de terneiros, terneiras e vaquilhonas do Estado. Pelo menos 34 remates foram realizados em diversos municípios gaúchos ao longo do mês de abril, conforme calendário oficial da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapi). E a avaliação inicial é de que elas vêm surpreendendo pelo bom desempenho de preços e liquidez, com influência clara do crescimento da exportação de animais inteiros para a Turquia na oferta de vários locais.
Em 2017, foram embarcadas 85,3 mil cabeças de gado em pé, quase o dobro do ano anterior. E apenas no primeiro trimestre deste ano, 20,8 mil terneiros foram destinados ao porto de Rio Grande. Segundo o presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Farsul, Francisco Schardong, essa nova realidade trouxe apreensão entre os produtores, mas acabou também, de certa forma, ajustando o mercado. “Tanto o terneiro de exportação quanto o de consumo interno mostram preços mais ou menos parelhos nesse início de temporada, principalmente em função da qualidade, e vários eventos terminaram com pista limpa”, relata. Schardong também confia numa oferta estável nas próximas semanas, com as fêmeas acompanhando a tendência de comercialização dos machos.
O Sindicato Rural de Herval foi um que fez um trabalho forte com os produtores para que levassem animais à 11ª edição da feira de terneiros do município, em 28 de abril, o que significaria abrir mão dos valores diferenciados no porto de Rio Grande. O argumento foi de que a qualidade do rebanho da região, que vem evoluindo nos últimos cinco anos, traria melhor remuneração na temporada. O evento acabou contando com 1.324 animais, cerca de 15% menos que no ano passado, mas atendeu às melhores expectativas: pista limpa e média do quilo de R$ 6,47 para os terneiros inteiros; R$ 6,11 para os castrados; R$ 5,19 para as terneiras; e R$ 4,90 para as vaquilhonas. O faturamento total foi de R$ 1,25 milhão. “Foram 560 terneiros inteiros em pista, contra 212 castrados, o que prova que o produtor estava mesmo se programando para vender para o navio”, conta o presidente do sindicato, Celso Silveira. “Superamos pela qualidade, pelo empenho”.
Em São Sepé, a impressão que ficou dos remates é de uma maior fluidez no mercado. Os dois eventos realizados em abril, um para machos e outro para fêmeas, organizados pela Associação dos Núcleos de Produtores de Terneiros de Corte (ANPTC Sul), comercializaram juntos mais de 1,7 mil animais em alta velocidade. Médias de R$ 5,70 para o quilo do terneiro e R$ 5,28 o da terneira, com venda total. O presidente do sindicato rural do município, José Aurélio Silveira, admite que havia preocupação quanto à crise que acontece em todo o setor primário e o crescimento da venda do produto ao mercado externo. “Tudo era muito novo para nós”, disse ele, “mas no fim a qualidade falou mais alto”.
A feira de São Francisco de Assis também teve pista limpa e alcançou média superior a R$ 6,00 no quilo do terneiro castrado. Mas a oferta encolheu bastante nos últimos anos: foram 6,5 mil animais em 2016, contra menos de 500 no primeiro evento do ano. “Sobra pouco para nós”, lamenta o presidente do sindicato rural, Fábio Edson Bittencourt. Outro remate em maio deve elevar os números.
Na abertura da temporada, Santo Antônio da Patrulha ainda teve negociada quase toda a oferta, de 605 animais (média de R$ 5,83 no quilo do terneiro), houve pista limpa em Cachoeira do Sul, com a venda de 869 exemplares (média de R$ 5,52 nos machos), assim como em Bagé, que contou com 1.195 animais e teve faturamento de R$ 1,24 milhão (média de R$ 5,74 o quilo do castrado e R$ 6,10 para o inteiro), entre outros eventos.
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