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Nº 418 - ANO 32 - JULHO DE 2018
 
Procura de sementes reforça previsão de queda na área do trigo
 
Ao entrar no mês que marca o início do plantio do cereal no Estado, o que se observa é uma baixa procura por sementes de trigo para a safra de inverno. As primeiras lavouras começam a ser semeadas na segunda quinzena de maio, ainda que a maior parte das regiões plante mais tarde. Para o presidente da Comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, o momento é de definição, e dúvidas não faltam ao produtor. “O forte do plantio é junho, então é nos próximos dias que ele vai parar, fazer as contas, ver o que a soja deixou de margem e o que pode arriscar na cultura de inverno. Mas tudo aponta para uma nova redução de área, de 5% a 10%, por todo um conjunto de fatores”, afirma.
Após anos de safras frustrantes, ora pelo clima, ora pelo retorno financeiro, há evidente desestímulo entre os produtores. Também não agradam os altos custos de produção; a dificuldade em obter mecanismos de apoio à comercialização, dentro do Programa de Garantia de Preços Mínimos, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); a redução do preço mínimo do trigo para R$ 36,17 (saco de 60 quilos, tipo pão); a qualidade exigida pelos moinhos; entre outros aspectos. “O pessoal está cansado de plantar, obter altas produtividades e não encontrar preço remunerador”, diz Jardim.
Nem mesmo a reação de 6% nas cotações do grão em abril, acumulando 18% neste ano, segundo o Cepea/Esalq da USP, parece animar. Ela é explicada pela falta de produto. O dirigente relata que, nos Campos de Cima da Serra, somente quem tem trigo de qualidade branqueador e melhorador consegue preço superior ao mínimo. Ou seja, quase ninguém, considerando as condições adversas enfrentadas no ciclo passado. “Quem colheu trigo depois de problema de chuva, de geada, não consegue de jeito nenhum”.
Na ausência de políticas públicas que estimulem o plantio, a Farsul reforça a preocupação com a pouca área cultivada em comparação com a safra de verão, comprometendo a sustentabilidade do sistema produtivo. Tanto em termos de rotação de culturas como na questão financeira, já que os custos fixos seguem os mesmos no período ocioso e a conta fica para ser paga somente com o trabalho na virada do ano. “Evidentemente, não queremos mexer na gerência do produtor na propriedade, mas ele precisa estar ciente e avaliar bem a situação”, afirma Jardim.
Para quem decidir apostar no trigo, a recomendação da entidade é reduzir ao máximo as incertezas, lançando mão de tecnologia e de informações técnicas. Exemplo é a escolha de semente a partir dos resultados mais recentes do Ensaio de Cultivares em Rede (ECR), publicados pela Fundação Pró-Sementes e o Sistema Farsul. A edição deste ano avalia o desempenho de 36 variedades de maior área de plantio no Estado e lançamentos, em sete regiões diferentes. Está disponível no site da Pró-Sementes. Já o ingresso em outras culturas de inverno deve ter como principal critério a liquidez, recomenda Jardim, além de manejo adequado.
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