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Nº 418 - ANO 32 - JULHO DE 2018
 
Exportação de fumo cresce 73% com a venda de estoques
 
Há 25 anos na liderança do ranking mundial de exportações de fumo, o Brasil deve aumentar de 10% a 15% o volume dos embarques em 2018, aponta a pesquisa da PricewaterhouseCoopers (PwC), encomendada pelo Sinditabaco. Em dólares, a alta pode chegar até 20%. O resultado está diretamente relacionado à redução dos estoques da safra passada, de acordo com o presidente da entidade, Iro Schünke.
A pesquisa leva em conta dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), que indicam a venda de 107,1 mil toneladas de tabaco e faturamento de US$ 482,9 milhões apenas no primeiro trimestre. O montante é 73% maior em volume e 90% maior em dólares em comparação com o mesmo período do ano passado. Da mesma forma, a safra colhida no ano passado superou em 146 mil toneladas a anterior, passando de 540 mil toneladas para 686 mil toneladas. Ou seja, o excedente ficou para ser vendido neste primeiro semestre. Os principais destinos são Bélgica, Estados Unidos, Indonésia, Rússia e Alemanha, e o porto de Rio Grande destinou 78% do total de cargas.
Para o presidente da Comissão do Fumo da Farsul, Mauro Flores, a notícia é positiva aos agricultores, pois traz, ao menos em teoria, melhores condições de venda do tabaco neste ciclo. “As empresas com estoque menor podem comprar melhor do produtor”, avalia. E outro fator que impacta a oferta é a quebra de produção, estimada entre 12% e 15% pelo grupo.
A impressão de momento é justamente essa, conforme conversas individuais e a primeira visita da comissão interestadual às indústrias em 2018, realizada em março, com o objetivo de verificar o andamento da comercialização. “A venda parece ter melhorado nos últimos dias. Eles estavam mais rigorosos antes na classificação, mas agora não querem perder o produto”, relata Flores. A confirmação deve vir em nova rodada nas empresas fumageiras, programada ainda para maio.
Até o final de abril, em torno de 58% da produção ainda estava na mão do produtor para ser comercializada, entre todas as variedades, de acordo com Flores. O preço de venda, por sua vez, estava na média do TO2 acertado com a Souza Cruz em janeiro, R$ 9,56 o quilo (R$ 143,40 a arroba), reajuste de 2,2% em relação à safra passada. As demais empresas não assinaram protocolos com Afubra e federações estaduais de agricultura e dos trabalhadores rurais dos três estados da Região Sul.

COP-8
Os representantes dos fumicultores brasileiros já estão se movimentando para a 8ª edição da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8), a ser realizada entre os dias 1º e 6 de outubro, em Genebra, na Suíça. Nela, serão debatidos artigos que tratam, por exemplo, da exclusão de qualquer órgão, empresa ou entidade que defenda o tabaco; da limitação da nicotina e padronização dos cigarros; além da discussão sobre os cigarros eletrônicos e comércio ilegal.
A mobilização teve início em reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, em 21 de março, em Santa Cruz do Sul, com a presença do representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), Gustavo Henrique de Araújo. E o setor agora pressiona o governo federal a discutir abertamente a posição brasileira no evento internacional. É esperada reunião entre os integrantes do grupo, outras entidades, indústrias e a Anvisa, ainda em maio, em Brasília.
O Brasil exportou, no ano passado, 462 mil toneladas de fumo, obtendo receita de US$ 2,09 bilhões. É responsável por cerca de 30% das exportações mundiais de tabaco, aproximadamente 1% das exportações totais brasileiras e 9,2% dos embarques do Rio Grande do Sul, que lidera entre os estados. O tabaco em folha é vendido a 94 países.
Em termos de produção, o Brasil continua na segunda posição do ranking mundial, atrás somente da China. São mais de 150 mil produtores em 566 municípios, que respondem por uma área de cerca de 299 mil hectares e geram em torno de R$ 13,9 bilhões em impostos. Ao todo, mais de 600 mil pessoas estão envolvidas na produção, com 40 mil empregos diretos nas indústrias.
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