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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
CNA pressiona poder público com estudo sobre criminalidade no campo
 
Furtos (49%), incluindo o abigeato, representam a maior parte dos crimes ocorridos nas propriedades rurais brasileiras. As mais atingidas são as de pecuária de corte e de leite (54%) de até 500 hectares (74%). Outros casos recorrentes são de roubos (33%), depredação (12%), assassinatos (35 ao todo) e queimas (3%). Que incidem ainda sobre a produção de grãos (13%), frutas (3%) e verduras e legumes (1%).
Esses dados constam no recém divulgado “Estudo sobre a Criminalidade no Campo”, elaborado pelo Instituto CNA a partir de amostras em 17 estados, com base em denúncias feitas ao Observatório, lançado em fevereiro deste ano. O documento aponta para um grave quadro de insegurança no meio rural e apresenta propostas de prevenção e enfrentamento da violência que atinge produtores, familiares e trabalhadores rurais. “O campo, que no passado as famílias tinham segurança de que não haveria roubo de máquinas, animais, fertilizantes, não existe mais. O que estamos vendo hoje é um verdadeiro massacre”, afirma o presidente da CNA, João Martins.
Com o material em mãos, a CNA construiu uma agenda política ao longo do mês de maio. Receberam o estudo o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Entre outros pontos, a entidade defende a padronização e a divulgação detalhada de informações sobre a ocorrência de crimes no campo, projetos de prevenção e controle da criminalidade, metas claras de redução da violência no campo, um conjunto de leis específicas e aplicáveis na prática, uma ouvidoria nacional e a criação de unidades especializadas de prevenção e combate às infrações em todo o Brasil, algo que já existe no Rio Grande do Sul.
A depender dos discursos, é possível esperar mudanças. Jungmann anunciou a criação de uma comissão mista entre o Ministério da Segurança Pública e a CNA para elaborar programa, com os trabalhos iniciando nas próximas semanas. “Formaremos um diagnóstico preliminar para instituirmos um programa para combater a violência no campo”, prometeu. Maia disse que o assunto está na pauta do Legislativo e que o estudo contribui ao debate. “É importante para nos dar uma radiografia mais clara”, afirmou o presidente da Câmara. “Um setor quando se organiza e trabalha com mais profundidade sobre o seu problema ajuda o trabalho dos que estão no poder público”.
O documento também foi entregue à presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputada Tereza Cristina, além dos deputados Nilson Leitão e Marcos Montes e a senadora Ana Amélia Lemos. Denúncias sobre crimes no campo podem ser feitas por todos os produtores brasileiros, sob sigilo, na página do Observatório da Criminalidade no Campo, que consta em site da CNA, e pelo whatsapp (61) 9 9834-7773.
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