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Nº 418 - ANO 32 - JULHO DE 2018
 
Cada real da agricultura equivale a R$ 4 na economia, demonstra estudo
 
A estimativa do Sistema Farsul é de que a colheita de grãos em 2018 terá faturamento de R$ 39,1 bilhões, cerca de 12,2% maior que no ciclo passado. Porém, quem pensa que essa receita só interessa ao produtor rural está muito enganado. Estudo da assessoria econômica do Sistema Farsul mostra que aproximadamente dois terços da riqueza, ou R$ 26 bilhões, é usada para cobrir o desembolso e abastece setores que dependem parcial ou integralmente do desempenho do campo, como as indústrias de fertilizantes, a química e farmacêutica, a petroquímica, o segmento metal-mecânico, as instituições financeiras, os serviços especializados, entre outros.
Para o presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, essa condição mostra como o conceito de “setor primário”, criado em 1932, que pressupõe a produção de commodities sem grandes investimentos, está ultrapassado. “Antigamente, a agricultura não usava tantos insumos e tecnologia, tinha pouca mão de obra, a produção era feita com a semente caseira. Até podia ser chamada de atividade primária. Hoje, não somos mais. Quando chegamos com o produto no porto de Rio Grande e na indústria, já agregamos muito valor em cima de toda a cadeia”, afirma. Ou seja, o agronegócio sustenta uma série de empreendimentos direta ou indiretamente, garantindo empregos, pesquisa, investimentos e a sustentabilidade da economia.
E o impacto não fica só nisso. Conforme projeção para 2018, os produtos agrícolas ainda devem resultar numa movimentação próxima a R$ 30,7 bilhões na agroindústria, R$ 46,2 bilhões em distribuição, R$ 16 bilhões em impostos indiretos, e R$ 4,1 bilhões no setor de indústria e agrosserviços. No total, o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária deve ficar em R$ 129,3 bilhões, ou 40% do total do PIB gaúcho. “Significa dizer que cada real faturado na agricultura se transforma em R$ 4,02 na economia do Estado”, resume o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, que apresentou os dados em coletiva de imprensa na sede da entidade, em Porto Alegre, dia 9 de maio.
De acordo com o economista, a rentabilidade média deve ser melhor nesta safra principalmente por conta da taxa de câmbio, que é mais decisiva nos preços do que a menor oferta e uma ligeira melhora nas cotações internacionais. Há boas perspectivas de preços para soja (alta de 25,2% no faturamento), milho (25,4%) e trigo (52%), que absorvem as quedas no arroz (-12,8%), feijão (-20,4%) e demais grãos (-2,1%) em função do volume de produção de cada uma das culturas. O problema é que a regra não vale para todos: produtores de soja da Metade Sul não colheram bem e enfrentam dificuldades, além do já referido caso dos arrozeiros gaúchos.
Além do cenário geral, o levantamento da assessoria econômica calculou o impacto da safra de grãos para cada uma das 13 regionais da Farsul, com o objetivo de trazer informações mais detalhadas à imprensa regional e dar subsídios a sindicatos rurais, produtores e demais lideranças do setor nos mais diversos pleitos. O conteúdo está disponível no site da Federação, área de downloads.
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