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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Setor oficializa Associação Hidrovias para mudar realidade logística do Estado
 
A Associação Hidrovias RS foi constituída oficialmente na tarde de 16 de maio, na sede da Farsul, em Porto Alegre. O grupo é formado por representantes da Farsul, Fiergs, Fecomércio, Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Federarroz e empresas que operam os terminais do Porto de Rio Grande. Agora, enfrentam o desafio de criar propostas conjuntas do setor empresarial a serem discutidas com o poder público, além de pressionar por medidas urgentes, como a dragagem de manutenção do calado do porto, que não é feita há quatro anos.
Eleito à presidência nesta primeira gestão, Wilen Manteli, que acumula a função com a presidência da ABTP Sul, afirma que o Rio Grande do Sul apresenta custos logísticos equivalentes a 19% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. O percentual está acima da média do país (12%) e dos concorrentes internacionais (8% a 10%). Um dos motivos é a subutilização dos canais hidroviários, que atualmente transportam 7 milhões de toneladas por ano, quando o potencial imediato é de 10 milhões de toneladas. “Temos uma das logísticas mais caras do mundo. Precisamos mudar isso, apresentar propostas conjuntas, tomar a dianteira. Essas questões têm de ser lideradas pelo setor empresarial”, defende ele. Manteli também afirmou que “setor dividido é o que o governo mais quer” e que “estamos sendo permanentemente enrolados”, como no possível apoio federal para garantir o calado.
De acordo com ele, o custo pode ser reduzido a 10% do PIB, a partir do momento que as taxas de acesso aquaviário (média de R$ 65 milhões ao ano) deixem de ir ao Caixa Único do Estado e passem a serem efetivamente aplicados na manutenção dos canais e calado em Rio Grande. Isso acabaria por atrair investimentos, fomentando o empreendedorismo nas “margens” das vias. Operando com 60 pés de calado, Rio Grande poderia até mesmo se tornar um centro de comércio internacional, constituindo rota mais efetiva entre Cone Sul, África e Ásia. Os portos brasileiros mais próximos não aceitam essa profundidade.
O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, falou sobre a urgência de resolver a questão do calado: “É uma situação que já está nos custando muito, entre R$ 1 e R$ 2 no saco de soja”. O prêmio pelos produtos agropecuários é reduzido à medida que os navios precisam zarpar com menos carga, para garantir que não atinjam o fundo debilitado do canal, ou esperar por maré alta. Em abril, o Porto de Rio Grande ficou paralisado por cinco dias justamente por conta da falta de dragagem. O dirigente também falou sobre medidas para buscar um melhor cenário para os produtores de arroz. “Para exportar R$ 1,5 milhão de toneladas, precisamos do terminal que hoje está deficitário, da extinta Cesa, e que precisa de investimento para operar com mais eficiência”.
Recentemente, o grupo iniciou conversas com empresas de dragagem, como a belga Jan de Nul, recebida em reunião na sede da Fecomércio, no início de maio. Outras devem participar a seguir. Os encontros trazem subsídios para uma futura proposta única do setor, a ser apresentada aos principais candidatos das eleições de 2018.
Uma das possibilidades é o recolhimento de taxa a ser gerida pela Associação, que garante o investimento da mesma em manutenção e melhorias do Porto de Rio Grande e hidrovias. O valor levaria em conta tamanho do navio em trânsito, distância e tonelagem, conforme índices sugeridos em estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O setor confia que a transferência de responsabilidade para a iniciativa privada atrairá investimentos, que podem originar parques industriais no Estado, diluindo o custo das empresas na operação e, por consequência, reduzindo o elevado percentual do PIB que se perde no frete.
O diretor da Farsul Fábio Avancini Rodrigues foi eleito diretor da Associação Hidrovias RS, cargo que será revezado com Fiergs e Fecomércio a cada dois anos. Três conselheiros fiscais completam o quadro executivo: Frank Woodhead, da Ctil Logística; Murilo Gerchmann, da Copelmi Mineração; e Ademar Fronchetti, da Yara Brasil.
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