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Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
Desenvolvimento que vem do campo - Gedeão Pereira*
 
O escritor americano Jared Diamond, em seu livro Armas, germes e aço, apresenta uma instigante questão: desde o surgimento da raça humana, por que razão algumas civilizações se desenvolveram mais do que as outras? O que aconteceu, no início do mundo, que possibilitou diferenças tão marcantes entre os povos? A resposta do autor não deixa dúvidas: as civilizações que em primeiro lugar domesticaram as plantas e os animais foram as que mais rapidamente se desenvolveram.
Os grupos humanos que andavam pelo mundo coletando e caçando começaram a experimentar saltos de desenvolvimento somente após terem conseguido domesticar e criar animais e plantar e colher alimentos, aponta Diamond. A partir do momento em que parte dos seres humanos dedicou-se a essas atividades, uma outra parte das pessoas pode direcionar sua energia para organizar as sociedades, construindo as aldeias, as cidades, as nações.
Ou seja, foi com o surgimento dos primeiros produtores rurais que o mundo iniciou sua permanente trajetória de desenvolvimento. E é assim até hoje.
Por outro lado, não faz muito que a produção rural encontrou os promissores caminhos da produtividade. Apenas no século XVIII surgiram as primeiras experiências de uma agricultura científica, quando o agricultor Jethro Tull criou a semeadeira mecânica e introduziu práticas de rotação de culturas, entre outras inovações. No Brasil, o grande salto da nossa agricultura iniciou nos anos 1960 e ganhou velocidade de cruzeiro no alvorecer deste século XXI.
No contexto dessas importantes transformações, surge, em 1993, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, para levar aos trabalhadores e produtores rurais brasileiros uma vasta e variada gama de conhecimentos. Como toda experiência nova, os primeiros tempos do Senar foram de caminhar mais cauteloso e de busca da confiança de um setor da economia que já desbravara imensas áreas pelo Brasil e ansiava por maiores conquistas. Aos poucos, porém, a jovem instituição ganhou musculatura, até alcançar, alguns anos atrás, a posição de “maior escola da Terra”, como bem refere seu lema nacional.
A trajetória de 25 anos do Senar-RS foi de constante evolução e de inestimáveis serviços à agropecuária gaúcha. Falando para todos os públicos do campo – da mão de obra especializada e de alta performance até o mais simples artesanato e promoção social – tem mostrado seu valor entregando ao meio rural do Rio Grande ferramentas geradoras de renda e de qualidade de vida.
Cada curso e programa desenvolvido gera impactos imensuráveis no meio rural, seja em termos sociais, seja em aspectos técnicos e econômicos. Uma transformação gera outras, que vão muito além do expressivo número de atendimentos, mais de 9,7 milhões de pessoas ao longo de duas décadas e meia no Rio Grande do Sul, somando todas as ações.
Incansável na busca pela excelência, o Senar-RS hoje opera com assistência técnica e gerencial, ensino técnico formal a distância, apoio à pesquisa. Olhando com determinação para as mais novas tecnologias voltadas à produção rural, coloca como meta para este e os próximos anos a aproximação e realização de novas parcerias com universidades e centros tecnológicos, onde a revolução das startups vem gerando inovações capazes de transformar radicalmente – e para melhor! – a produção no campo.
Conduzir os destinos do Senar-RS é tarefa de grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, de grande satisfação e orgulho, porque se trata de uma organização de valor inestimável, mantida por produtores rurais. Os mesmos produtores rurais que, produzindo alimento desde a alvorada da humanidade, são o esteio de todo o desenvolvimento.
Vida longa ao Senar-RS!

*Presidente do Conselho Administrativo do Senar-RS
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