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Nº 418 - ANO 32 - JULHO DE 2018
 
Entidades querem mudanças nos royalties da soja
 
O valor cobrado pelos royalties da semente de soja foi tema de reunião, realizada na sede da Farsul, envolvendo representantes de produtores rurais, cooperativas, cerealistas e a empresa de agricultura e biotecnologia Monsanto. Nela, a multinacional anunciou a decisão de não aplicar correção monetária nos preços, mantidos em R$ 138 por hectare para a semente certificada e R$ 152 por hectare para a semente salva (Anexo 33), no caso do pagamento até julho. Além disso, tratou da possibilidade de desconto de 5% para a quitação antecipada. O descumprimento acarreta multa de 7% sobre o faturamento bruto.
A manutenção da tabela não livrou a Monsanto de críticas. De acordo com o vice-presidente da Farsul, Elmar Konrad, que coordenou o encontro, o anúncio foi muito aquém da expectativa e continua trazendo altos custos para o produtor, que precisa arcar com condições não tão atrativas de crédito rural, com o seguro e mais os royalties. “Num custeio de R$ 2 mil, esses gastos somam R$ 600 antes mesmo de levantarmos o telefone para buscar o primeiro insumo”, destaca.
O principal argumento do grupo é o de que a promessa da Monsanto de acréscimo de 10% na produtividade com a tecnologia Intacta não se confirma em nível de lavoura. Nos Ensaios de Cultivares em Rede (ECR) de soja, da Fundação Pró-Sementes em parceria com o Sistema Farsul, o resultado é mais tímido: alta de apenas 3% no comparativo com a RR.
“Apoiamos a evolução da tecnologia e o princípio da propriedade privada intelectual no caso das sementes, mas sugerimos a negociação para redução de royalties, medida que acarretaria numa maior adesão de pagamento por parte dos produtores”, afirmou Konrad. Porém, a empresa mostrou-se irredutível quanto ao anúncio. “Vimos uma posição bem clara de que, inicialmente, não está nos planos da Monsanto mexer em valores”.
Por outro lado, a reunião pode ter sido o ponto de partida para a utilização de uma nova metodologia de cálculo, que beneficiaria o setor com descontos. A ideia consiste numa identificação prévia das lavouras a serem plantadas com Intacta. “Acho que é um caminho a ser considerado junto às entidades para a redução da cobrança”, avalia o dirigente. A reunião ainda contou com a presença de representantes de Senar-RS, Acergs, Fetag-RS, Fecoagro, Apassul, Abrasem e Aprosoja-RS. A negociação será retomada em futuros encontros.
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