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Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
Feiras oficiais encolhem 49,5% na temporada de outono
 
Influenciada pelo aumento da exportação de gado em pé, além da venda direta na propriedade e da comercialização com outros estados, a temporada de remates oficiais no Rio Grande do Sul vendeu somente 12,6 mil terneiros, 49,5% menos que no ano passado. A movimentação total foi de R$ 26 milhões, contra os R$ 46,8 milhões de 2017. A oferta menor resultou ainda em uma alta de 5,43% na média do quilo do terneiro, que passou de R$ 5,52 para R$ 5,82 na mesma comparação. Os números estão em levantamento do Sindicato dos Leiloeiros Rurais do Estado (Sindiler-RS), divulgado em junho.
De acordo com o presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Farsul, Francisco Schardong, há três fatores que explicam o resultado. O primeiro são os preços atrativos de venda de animais para o exterior, sobretudo a Turquia. Sendo assim, o porto concorre diretamente com as exposições oficiais. Além disso, também é notável o maior investimento do produtor em negociar os lotes diretamente na propriedade, o que pode ajudar a reduzir custos e a trabalhar a propaganda da cabanha. Outro fator a se considerar é a venda para outros estados, que não entra no levantamento do Sindiler-RS.
A melhor notícia da temporada, na opinião de Schardong, foi a qualidade da oferta, ainda que menor. “A qualidade tem sido o ponto alto nas feiras, por conta da melhoria constante na genética dos reprodutores. Eles trazem avanços importantes, que acabam refletindo diretamente no desempenho dos terneiros, das terneiras e das vaquilhonas”, avalia. Schardong também ressalta que os números das exposições oficiais não são algo inteiramente a se lamentar, considerando que os produtores têm conseguido boa saída para os produtos por outras vias. Mais do que isso, a preços interessantes diante da crise que o setor pecuário, lentamente, deixa para trás.
O preço do quilo do boi gordo no Estado, ao final de junho, estava em R$ 4,97, segundo o Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os valores estão próximos daqueles encontrados antes da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, em março de 2017, e da delação premiada da alta cúpula de executivos da JBS, uma das gigantes brasileiras do setor. Em 8 de março do ano passado, a cotação do quilo era de R$ 5,03.
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