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Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
Mapa avalia reivindicações da Farsul em consulta pública
 
A Farsul se manifestou oficialmente na consulta pública do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sobre as portarias que substituem a Instrução Normativa (IN) 62, alterando os critérios de qualidade do leite. A entidade encaminhou documento próprio com a avaliação à Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, que uniu as reivindicações e comunicou o governo federal.
De forma unânime, o setor pede a manutenção dos índices de Contagem de Células Somáticas (CSS) e Contagem Bacteriana Total (CBT) em 300 mil UFC/ml e 500 mil cel/ml, respectivamente. O Mapa sinalizou com novas avaliações dos padrões a cada dois anos, refinando parâmetros e elevando as exigências, o que causa apreensão quanto à possibilidade de execução real nas propriedades. “A mesma posição é colocada por nós, pela Aliança Láctea, pelo Conseleite: a manutenção dos índices e a avaliação conforme a evolução”, destaca o presidente da Comissão do Leite da Farsul, Jorge Rodrigues.
Outro exemplo é o debate sobre o artigo que estabelece que as indústrias de laticínios devem interromper a coleta do leite na propriedade que apresentar, por três meses consecutivos, resultados fora do padrão de qualidade do leite cru refrigerado. Em vez da interrupção, as entidades sugerem a introdução de um plano de manejo de ordenha e resfriamento de leite específico, de forma que o produtor consiga se adaptar e entregar um produto melhor. Rodrigues destaca que, nesse e em outros pontos, a proposta é “muito rigorosa” e “difícil de ser cumprida”, trazendo prejuízos evidentes ao pecuarista.
O prazo da consulta encerrou em 25 de junho. Poucos dias depois, o Mapa anunciou a prorrogação por um ano dos atuais padrões de CBT e CCS do leite cru refrigerado. A medida, conforme a própria pasta, decorre da necessidade de revisão das sugestões encaminhadas e pode ser revogada assim que a análise pelo grupo de trabalho interno for concluída.

Preços do leite
A entressafra da produção e a redução da captação nas indústrias por conta do período de paralisação e bloqueio das estradas pelos caminhoneiros contribuíram para a alta de 6,76% no preço de referência do litro do leite no Rio Grande do Sul. A avaliação aconteceu na mais recente reunião do Conselho Estadual do Leite (Conseleite), em 21 de junho, na sede da Farsul, em Porto Alegre. A projeção para o mês é de R$ 1,1781, o litro. O valor consolidado de maio ficou em R$ 1,1035, o litro.
Rodrigues avalia que as sucessivas altas confirmam o momento de recuperação de mercado, após uma das crises mais profundas do setor em toda a história em 2017. No entanto, os patamares atuais ainda não alcançaram os do ano passado, na comparação entre os primeiros semestres. Levantamento do Conseleite indica que, de janeiro a junho de 2018, dez dos 13 produtos avaliados ainda estão com valores abaixo dos praticados há um ano. O leite UHT, principal componente do mix, caiu 5,48%, por exemplo.
O dirigente da Farsul também fez questão de afirmar que, no geral, o balanço da greve dos caminhoneiros é negativo para a cadeia produtiva do leite: “Tudo que subiu, em termos de preço, não recupera o que se perdeu”. O grupo estima que as indústrias gaúchas tiveram quebra de 108 milhões de litros em maio, equivalente a 16,7%, por conta da ociosidade durante a greve. “Não se pode considerar que a valorização dos produtos foi boa”, afirma o professor da Universidade de Passo Fundo (UPF) Eduardo Finamore.
A tendência é que os valores de junho se mantenham nos próximos meses, em função do aumento do consumo médio dos meses de inverno e pela alta do dólar, que trava a importação de lácteos e, em contrapartida, impacta nos custos.
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