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Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
Animais, máquinas e debate político movimentam a Expointer
 
A 41ª Expointer, realizada entre os dias 25 de agosto e 2 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, correspondeu às mais elevadas expectativas. Bem organizada e harmoniosa entre os setores, a feira recebeu 370,6 mil pessoas apresentando o que há de mais avançado em genética animal e máquinas agrícolas, estimulando a troca de experiências e levantando pautas políticas. “A Expointer é construída de animais, máquinas e discursos. Sempre saem decisões importantes dela”, resume o presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, para quem a exposição foi “magnífica”.
Grandes estrelas da Expointer, os animais tiveram representação de 4.247 exemplares, de 145 raças. O número foi 32% maior que em 2017, mas decorre do retorno da mostra de aves, suspensa no ano passado por ameaça de gripe aviária no território sul-americano. Os bovinos de argola, por exemplo, reduziram de 548 para 513 inscritos (-6,8%). Destaque para a alta de 28,5% nos rústicos, que pularam de 1,4 mil para 1,8 mil animais. Para o presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Farsul, Francisco Schardong, a explicação para o desencontro está no custo: enquanto os animais a galpão passam 15 dias longe de casa, com gasto médio entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil e foco no marketing da cabanha para os remates no interior, os rústicos entram num dia, são vendidos e saem no outro, prontos a trabalhar no campo.
Foram comercializados apenas 37 exemplares de argola na feira, movimentando R$ 252,4 mil, enquanto os rústicos faturaram três vezes mais (R$ 902,6 mil), com 499 animais. No geral, os animais movimentaram R$ 10,26 milhões nesta Expointer, a maior parte no cavalo crioulo, com decréscimo de 3,6% no valor em relação à última edição.
O setor de máquinas prospectou R$ 2,28 bilhões em negócios, alta de 18,8%, enquanto a agroindústria familiar vendeu R$ 4 milhões (+40,3%), impulsionada pela ampliação de pavilhão e do número de expositores. O artesanato teve avanço de 16,2%, alcançando R$ 1,27 milhão.

Demandas políticas
A atuação política da Farsul foi destaque na programação da feira, com destaque para a visita do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, e a de cinco candidatos à Presidência da República, entre outros políticos. A conversa com o ministro teve como enfoque as duas maiores ameaças daquele momento para o agronegócio brasileiro: o veto ao uso do glifosato, indispensável na lavoura brasileira (a liminar foi derrubada dias depois), e a permanência do tabelamento de frete rodoviário, que onera a produção. O ministro garantiu que monitora e trabalha as questões. Já os presidenciáveis estiveram na Casa da Farsul para buscar as demandas da entidade e pedir apoio nas eleições de outubro. “É algo que demonstra a importância da Farsul dentro do cenário político brasileiro”, ressaltou Gedeão.
Auxiliado pelo economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, o dirigente provou, em coletiva de imprensa, que o único subsídio que a agricultura recebe no Plano Safra é o destinado ao prêmio do seguro agrícola, na ordem de R$ 260 milhões, considerando o último ano fechado, 2017. A agricultura familiar, por sua vez, tem juros equalizados em plano e recebe R$ 5,8 bilhões em subsídios/ano. Somados, são pouco mais de R$ 6 bilhões - bem longe dos R$ 158 bilhões inventados por um dos candidatos na Expointer.
Da Luz reforça que os juros da agricultura são mais baixos que aqueles encontrados pelos setores de indústria e comércio, mas não porque são subsidiados. Na verdade, explica o economista, os contratos apresentam garantias maiores do que o normal, não raro o dobro do crédito tomado, o que representa riscos baixos para os agentes financeiros, além do fato de o agronegócio ter a menor taxa de inadimplência entre todos os setores. Além disso, como grande parte dos recursos são a carteira de poupança, que hoje remunera em 4,55% a.a, e o juro do Plano Safra está em 7% a.a, os bancos apresentam spread (lucros) de 2,45% a.a - ou seja, dispensa equalização por parte do governo federal e torna-se um bom negócio aos bancos oferecer crédito rural sob juro controlado.
A entidade aproveitou a ocasião para questionar o investimento da União na rubrica agricultura: apenas R$ 15,31 bilhões em 2017, equivalente a 0,64% do gasto público naquele ano. E mesmo esses valores não são bem empregados: R$ 5,4 bilhões servem para sustentar a estrutura composta por mais de 20 mil servidores, enquanto R$ 241 milhões são destinados apenas a benefícios dos trabalhadores do Mapa e estatais.
A Farsul promoveu ainda reuniões em diferentes áreas, discutindo temas como gargalos logísticos, com o setor empresarial; programas de certificação de carnes, com a CNA; comércio exterior, no Interagro; e acordos internacionais e retirada da vacinação contra a aftosa, com a Federação das Associações Rurais do Mercosul (Farm).

Foco no conhecimento
Os visitantes da feira contaram, mais uma vez, com uma série de palestras e oficinas técnicas do Senar-RS, que aproveita o movimento em Esteio para divulgar a ampla lista de cursos que oferece regularmente e de modo gratuito em todo o Estado. A entidade também comemorou 25 anos e lançou curso de “Produção de alimentos à base de arroz e derivados”, no encerramento de evento da Comissão das Produtoras Rurais da Farsul. “Era uma grande demanda dos produtores de arroz”, conta o superintendente do Senar-RS, Gilmar Tietböhl.
Os atendimentos alcançaram milhares de pessoas, tanto no estande técnico da entidade quanto no Salão do Empreendedor, do programa Juntos para Competir (Farsul, Senar-RS e Sebrae/RS). Neste, foram destacadas três grandes cadeias do agronegócio e apresentadas 16 startups. O diretor-superintendente do Sebrae/RS, Derly Fialho, destacou a iniciativa: “A Expointer também teve inovação como traço. Dos últimos quatro anos, talvez tenha sido a melhor apresentação do Juntos para Competir em termos de estrutura e conteúdo”.
Apesar das novidades, o programa não abandonou uma das ações mais tradicionais da Expointer, presente há mais de dez anos na feira: a Vitrine da Carne Gaúcha. Foram 31 apresentações, envolvendo a desossa de carcaças de bovinos, ovinos e suínos, e ensino e elaboração simultânea de receitas. A ação, idealizada originalmente pela Farsul, teve parcerias com Alianza del Pastizal, Arco, Acsurs, Angus, ABHB, Devon e ABCZ,
O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, exaltou ainda o alinhamento dos setores de agricultura (Sistema Farsul), indústria (Sistema Fiergs) e comércio e serviços (Sistema Fecomércio) no estande. Os presidentes das entidades - Luiz Carlos Bohn, pela Fecomércio, e Gilberto Petry, pela Fiergs - tiveram reunião em Esteio, dia 29 de agosto, no local que prepararam de maneira conjunta na feira para incentivar o empreendedorismo e a inovação tecnológica.

Pista limpa
A 14ª Feira de Novilhas e Ventres Selecionados terminou, mais uma vez, em pista limpa, desta vez para 468 animais. O faturamento total foi de R$ 572,2 mil. Parceria de Farsul, Santa Úrsula Remates e Associação de Criadores de Angus, com apoio da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul, o remate aconteceu em 30 de agosto, na Pista J do Parque Assis Brasil.
O presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Farsul, Francisco Schardong, considerou o evento um sucesso diante do período não tão favorável para a pecuária, com custos em alta e baixo retorno na indústria. A média do quilo da terneira foi de R$ 4,95. Já as novilhas prenhas saíram a R$ 4,87, e as novilhas, a R$ 4,74.
Na abertura foram premiados os melhores lotes: a Fazenda Ressaco, de Mostardas, levou o primeiro lugar entre as novilhas prenhas; Renato Nicolau Müller, de Júlio de Castilhos, nas novilhas; e Clóvis Ricardo Roesler, de Minas do Leão, nas terneiras. A Fazenda do Ressaco também ficou com o prêmio de maior vendedor, enquanto a Agropecuária Rocha, de Candelária, foi a maior compradora.
O resultado anima pela característica histórica de termômetro que o remate da Farsul exerce para as feiras de primavera. Treze exposições foram lançadas na Casa da Federação na Expointer, na tarde de 29 de agosto. Houve discursos e apresentações em vídeo, destacando as culturas agropecuárias e os produtos que mais se destacam nas diferentes regiões e as principais atrações dos eventos que movimentam o Estado nas próximas semanas.
Schardong acredita que a divulgação, em um espaço nobre como a Expointer, gera retorno positivo para os sindicatos e colabora para o sucesso dos eventos. Prefeitos de quatro municípios estiveram presentes.
As feiras lançadas acontecem nos municípios de Dom Pedrito, Canguçu, São Gabriel, Santana do Livramento, Arroio Grande, Alegrete, Pelotas, Bagé, Camaquã, Cruz Alta, Paim Filho, São Sepé e Campo Novo. No total, são esperadas mais de 30 exposições, conforme calendário oficial da Secretaria da Agricultura do Estado.
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