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Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
Nota técnica avalia linhas de renegociação de dívidas ao produtor
 
A assessoria econômica do Sistema Farsul elaborou nota técnica analisando as propostas de renegociação de dívidas rurais apresentadas recentemente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Banco do Brasil (BB). O documento está disponível, junto a planilha eletrônica para simulação de valores, no site da Federação. Também foram enviados aos sindicatos rurais. O objetivo é auxiliar na decisão do produtor gaúcho endividado em aderir ou não a um dos formatos.
Conforme o documento, há diferenças importantes entre as duas linhas. A operação com o BB, por exemplo, caracteriza-se um alongamento de dívidas contratadas apenas com a instituição financeira. Já a opção do BNDES configura um novo crédito, ou seja, o banco quita todas as dívidas do produtor com terceiros para criar uma nova, por meio de um operador que assume o risco de inadimplência. Acaba abrangendo mais situações.
Outra questão observada é a variação na forma de pagamento. Na linha do BB, o alongamento pode ser de até sete anos, com carência de dois anos, pode ser contratada de imediato e a taxa de juros é a de contrato original mais correção pelo Índice de Remuneração da Poupança (IRP). Já na operação do BNDES, o prazo de pagamento é maior - pode chegar a 12 anos, sendo três de carência -, mas há limite de financiamento em R$ 20 milhões e os juros são compostos pela Taxa de Longo Prazo (TLP), atualmente em 6,84% ao ano, com acréscimo de fixos 4,5% ao ano. “Quanto mais alta a inflação e o pagamento de juros por parte do governo, maior será a TLP e maiores serão as parcelas e o montante pago ao final do contrato”, explica o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz. Será liberada em 18 de setembro.
Seja qual for a decisão, da Luz recomenda cautela aos produtores, alertando que medidas como essas podem conferir fôlego no curto prazo, mas também sufocar as finanças adiante. O economista reforça ainda que adotar o prazo de carência significa aumentar a dívida e que somente produtores com necessidades reais e que não dispõem de outra saída devem assumir as operações: “Jamais se utilize desse expediente para melhorar o capital de giro e a sensação de capitalização”.
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