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Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
Presidenciáveis buscam propostas da Farsul
 
A política definitivamente fez parte da 41ª Expointer. Candidatos aos principais cargos do país nas eleições de outubro compareceram em peso na Casa da Farsul, ao longo da feira, entre eles cinco candidatos à Presidência da República: Geraldo Alckmin (PSDB), Jair Bolsonaro (PSL), Henrique Meirelles (MDB), Alvaro Dias (Podemos) e Ciro Gomes (PDT). Todos foram recebidos pelo presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, e obtiveram documento com 10 medidas formuladas pela entidade para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Mais do que isso, os candidatos mostraram alinhamento com as posições defendidas pela Federação gaúcha, com exceção de Gomes.
Alckmin e Bolsonaro tiveram encontros mais longos, em que responderam ao conteúdo diante de dezenas de diretores, presidentes de sindicatos rurais e outras lideranças do setor empresarial. Alckmin foi quem abriu a agenda de encontros, na terça-feira (28), ao lado da senadora gaúcha e vice na chapa, Ana Amélia Lemos. Foram cerca de duas horas de reunião a portas fechadas com dezenas de convidados, representantes do campo e do empresariado gaúcho. No dia seguinte, foi a vez de Bolsonaro falar sobre suas propostas em auditório.
Em geral, esses encontros iniciaram com Gedeão exaltando a Expointer, auge da atividade rural gaúcha, e a representatividade do Sistema Farsul. “O senhor está diante da Federação da Agricultura mais antiga do Brasil”, disse a Alckmin, por exemplo. Também fazia questão de abordar a angústia do campo quanto aos problemas do país e à instabilidade política que marcou os últimos anos. “O empresariado está com o pé no freio, esperando outubro. Vamos plantar uma lavoura com altos custos de produção e não sabemos a que preços iremos vender, pela influência do câmbio”.
Depois, diretores e assessores técnicos do Sistema Farsul se alternavam em perguntas, tendo como base as dez medidas, que tratavam de temas relevantes ao agronegócio: competitividade, Mercosul, abertura econômica, política agrícola, logística, agenda de concessões e privatizações, segurança no campo, valor agregado, modernização da lei dos agroquímicos e estabilidade econômica e crescimento.
Alckmin prometeu uma agenda de privatizações, mostrou-se favorável ao porte de arma de fogo na zona rural e reintegração imediata de posse em caso de invasões de terra, apoio da Força Nacional para estados com fronteira seca, manutenção da Lei Kandir, seguro de renda com meta de R$ 1,2 bilhão, Plano Safra plurianual, independência do Banco Central, política fiscal severa, marco regulatório de concessões e abertura econômica, entre outros pontos. Reforçou ainda uma das medidas mais badaladas da campanha, o Imposto por Valor Agregado (IVA), que unifica e simplifica tributos. “O agronegócio é o pólo mais dinâmico da economia, que melhores notícias traz. Ele segura a peteca do emprego e cresce em período recessivo. É um setor estratégico”, garantiu.
Bolsonaro defendeu posições como a tipificação da invasão de terra como terrorismo, o porte de arma em todo o território nacional, redução ou abandono do Mercosul, veto a novas demarcações indígenas, abandono do Acordo do Clima de Paris, agenda de privatizações, menos blindagem às indústrias nacionais e manutenção da Lei Kandir. “Vamos desburocratizar e desonerar de impostos para dar um respiro aos produtores rurais”, prometeu o candidato.
Meirelles teve passagem rápida na quinta-feira (30). Ele discursou sobre a importância do agronegócio para o país e a necessidade de uma economia sólida para garantir ao produtor a segurança em seus investimentos, com planejamento a longo prazo. Ao entregar o documento, Gedeão destacou que os últimos períodos de estabilidade econômica aconteceram quando o candidato ocupou o Banco Central (2003-2010) e o Ministério da Fazenda (2016-2018).
Na sexta-feira (31), visitaram o espaço da Federação os candidatos Alvaro Dias e Ciro Gomes. Dias anunciou um plano de governo liberal, com reciprocidade na redução de barreiras alfandegárias entre o Brasil e outros países. “É algo que nos beneficia”, disse. Garantiu ainda o compromisso em reduzir o Estado “mastodonte”, baixar as taxas de juros e trabalhar para estabelecer a propriedade de terra um bem intocável na legislação.
Já o encontro com Ciro Gomes foi de posições antagônicas. Acompanhado de militantes, o candidato discordou de algumas colocações da Farsul. A certa altura, insistiu que o governo subsidia R$ 158 bilhões ao ano no crédito agrícola. Gedeão rebateu dizendo que os recursos do programa têm como origem os bancos privados, por meio dos depósitos à vista e em poupança. Contrariado, o pedetista se retirou.
Também passaram pela Casa da Farsul na Expointer os candidatos ao governo do Estado Mateus Bandeira (Novo), Eduardo Leite (PSDB) e Jairo Jorge (PDT), além de deputados estaduais, federais e senadores. O governador José Ivo Sartori (MDB) participou de reunião no Salão do Empreendedor, do Juntos para Competir.

As dez medidas

1. Melhorar a competitividade
2. Repensar o Mercosul
3. Abrir a economia
4. Reforçar o seguro rural
5. Reduzir a dependência das estradas
6. Privatizar estatais e fazer concessões, focando em funções
próprias de Estado
7. Melhorar a segurança no campo
8. Modernizar o registro de agroquímicos e o licenciamento
ambiental
9. Reconhecer o valor agregado do produto agropecuário
10. Estabilizar a economia
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