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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Virou rotina no estande técnico do Senar-RS, durante a 41ª Expointer, formarem-se grupos de produtor
 
Virou rotina no estande técnico do Senar-RS, durante a 41ª Expointer, formarem-se grupos de produtores em torno dos instrutores a cada fim de palestra. Ali, dependendo do assunto tratado minutos antes, aparecia todo tipo de pergunta, sempre com o viés particular da propriedade. Não raro os próprios produtores respondiam uns aos outros, trocando experiências. E certamente boa parte deles têm no que pensar agora, encerrada a participação na feira e de volta à lida no campo, onde de fato tudo acontece.
Roberto e Simone Rizzato criam angus numa propriedade de Vila Nova do Sul. Mas os últimos anos foram difíceis, com o carrapato tomando conta do rebanho, gerando prejuízos. O pior é que eles nem sabiam direito o motivo. Quando souberam das palestras do Senar-RS sobre controle do carrapato na Expointer, saíram às 5h de Santa Maria rumo a Esteio, chegando a tempo para descobrir que o pior inimigo do parasita é o frio. “Acontece que esses últimos invernos foram muito quentes, e o carrapato morre abaixo de 10ºC. Então, ele proliferou”, conta o produtor, que pensou em desistir da pecuária por causa do problema. Pudera: a estimativa é que 100 teleóginas (carrapatos fêmeas) sejam capazes causar perda aos bovinos de 22 quilos/ano, conforme o instrutor do Senar-RS Mozart Farias. E cada uma delas pode colocar até 3 mil ovos, que se espalham pelo solo e tornam ainda mais difícil o controle.
O casal Rizzato, porém, aprendeu o segredo: combater o carrapato na primeira e segunda fases do ciclo de vida do parasita, ou seja, entre outubro e janeiro. “Aplicar em abril e maio é só para gastar remédio”, apontou Farias, depois de explicar os diferentes tipos de aplicação de carrapaticidas - banho de imersão, aspersão mecânica e manual, pour-on e injetáveis -, os cuidados que se deve ter e os princípios ativos que podem ser combinados para um tratamento mais eficaz. “Ele deu algumas dicas importantes. A gente não tinha ideia de que a vaca que tem muito carrapato tem que tirar do gado, porque ela mesma acaba sendo uma fonte de carrapato”, disse o criador.
Veterano dos cursos do Senar-RS, o pecuarista Gustavo Kaiser, de São Lourenço do Sul, parou no estande para tirar alguma informação nova na área de manejo de campo nativo e integração entre lavoura e pecuária. As ações em que participou até hoje, como o programa de Boas Práticas Agropecuárias (BPA) para Bovinos de Corte, sempre colaboraram para alcançar bons resultados na propriedade: “Estamos aumentando o índice de prenhez no gado e melhorando o manejo de pastagem, mas tivemos dificuldade nos últimos anos em função de custo”.
O alívio veio com a informação de que é possível elevar em três vezes a produtividade no campo nativo sem gastar nada, apenas com adequações. O primeiro passo é atingir a altura correta de pasto, para que o bovino encha a boca e possa escolher aquilo que vai comer. Dessa forma, o animal reduz o gasto de energias e ganha peso mais rápido, explica o instrutor Cristiano Gotuzzo. Depois, a meta é o ajuste de carga. Essas duas medidas elevam o potencial produtivo para 230 quilos de peso vivo por hectare/ano, contra 60 quilos no manejo tradicional. Investindo em controle de pH do solo e aplicação de nitrogênio, o índice pode chegar a 700 quilos. “Chegamos à conclusão que estamos fazendo errado”, admitiu Kaiser. Gotuzzo até criou um mantra nas oficinas: “Não existe pastagem milagrosa”, repetiu à exaustão.
O terceiro assunto que o Senar-RS levou à feira foi o uso de tecnologia na ovinocultura, como forma de melhorar o manejo das propriedades. Chamou a atenção de quem passava no local o método de avaliação de carcaças e diagnóstico de prenhez por ultrassonografia, feito em tempo real, em parceria com expositores. A ferramenta ajuda a apartar ovelhas vazias e identificar partos simples e múltiplos, adequando a dieta das fêmeas, por exemplo.
Apenas com as mãos, é possível fazer uma avaliação de escore de condição corporal dos ovinos, outra informação relevante para adequar manejo e nutrição, fazer o melhoramento genético e aumentar as chances de sobrevivência das crias. “Colocar os animais em cobertura com uma boa condição corpórea aumenta o número de partos múltiplos e reduz o abandono”, garante o instrutor Eduardo Bernhard. “A natureza é sábia: uma fêmea não vai tentar amamentar a cria se não tiver certeza que consegue”.
O Senar-RS realizou, ao longo de nove dias de Expointer, 61 palestras na estrutura montada no Pavilhão de Ovinos e Bovinos de Corte. Além das três áreas principais - carrapato, planejamento forrageiro e tecnologia na ovinocultura -, também apresentou o ciclo “De onde virão os terneiros”, por meio de painéis e palestra diária do professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), José Fernando Piva Lobato. O superintendente do Senar-RS, Gilmar Tietböhl, afirma que todos os assuntos integram programas e cursos da entidade. “O objetivo era trazer pílulas de conhecimento e mostrar que tudo isso pode ser aprofundado”.
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