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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Startups movimentam Salão do Empreendedor
 
Imagine uma lavoura de soja toda monitorada por satélite, em que qualquer anomalia gera um alerta em forma de notificação no celular. O produtor então vai a campo e descobre que se trata de uma praga da cultura. Para a tarefa, aciona um drone, que sobrevoa o campo de maneira automática e aplica defensivos com precisão. Não é preciso nem voltar ao talhão para saber quando o serviço fica pronto: o drone está conectado numa rede formada por três antenas, que cobrem toda a área. Assim, um sistema traduz a linguagem do equipamento, por meio da chamada internet das coisas, e traz a informação ao agricultor onde ele estiver.
O exemplo parece ficção científica, mas em breve pode se tornar uma realidade no meio rural gaúcho. É nisso que apostam algumas startups que estiveram no Salão do Empreendedor, do Juntos para Competir (Farsul, Senar-RS, Sebrae/RS), apresentando soluções tecnológicas aos visitantes da 41ª Expointer. Foram 16 empresas participantes, com os mais variados produtos, muitos deles ainda nem lançados comercialmente. Foi a principal novidade da iniciativa, presente pela terceira vez no Parque de Exposições Assis Brasil.
O monitoramento da lavoura por satélite, por exemplo, é no que investe a Pix Force, com o serviço Pix Alert. A ideia é realizar uma leitura de dados contínua a partir de imagens capturadas em tempo real, que podem alertar para qualidade de plantio, pragas e doenças, invasões de terra, desmatamento, déficit hídrico, redução de área de pastagem, abigeato, entre outros fatores. Representante comercial da empresa, Gaspar Tartari explica que o segredo é como a área reflete a luz solar. “Uma planta saudável reflete de uma maneira, e outra não tão saudável de outra. Às vezes, não dá pra ver nem a olho nu, ma no satélite sim”, afirma ele.
A internet das coisas é a área de atuação da Sirros IoT. “É como se fosse um wi-fi gigante cobrindo toda a propriedade e recebendo dados de todos os equipamentos”, explica o representante da empresa, Diego Schlindwein. Além da instalação das antenas, são usados chips especiais para colocar o serviço em andamento, os chamados chips lora.
O drone pendurado no espaço da soja não era enfeite: ele pertencia à Arpac, startup da Unisinos voltada para a aplicação localizada de defensivos agrícolas químicos e biológicos. Eles ainda não sabem se vendem ou alugam os equipamentos, mas garantem que existe mercado. “Hoje, o drone substitui principalmente o costal, tirando as pessoas das áreas de risco, e o avião em algumas ocasiões menores, evitando uma cobertura de área maior do que a necessária”, afirma o projetista mecânico da empresa, Lucca Moraes. O voo é automático, a partir de software: o produtor entra com login, seleciona as áreas e define velocidade, altitude e vazão. Tem 3,7 metros de comprimento e 10 litros de autonomia.
Quem também investe em equipamentos remotamente pilotados é a startup Auster, mas em asa fixa. O foco do serviço é o manejo de nematoides na soja por sensoriamento remoto. O avião gera imagens com resolução em centímetros e detecta a posição exata das pragas, mesmo em estágios iniciais. Depois, cria planos de manejo, para tentar retomar a produtividade em até um ano.
Outra inovação na aplicação de defensivos é o Save Farm, produto lançado na Expointer pela startup Eirene Solutions, incubada na PUCRS. Consiste em um sistema de câmeras e infravermelho para pulverização seletiva da lavoura, instalado em cada bico da máquina agrícola. “Só ativa quando encontra a planta. É capaz até de diferenciar a soja da erva daninha”, garante o engenheiro e sócio da empresa, Gabriel Borges.
Para otimizar a irrigação em culturas como soja e milho, a Raks aposta em sensores fixos de alta precisão na lavoura, que coletam informações como umidade do solo, umidade relativa do ar e temperatura ambiente. Automaticamente, cruza os dados com os índices recomendados para a cultura em determinado tipo de solo e aciona os equipamentos apenas quando necessário.
Aplicativos de gestão rural também não faltaram no Salão do Empreender. Para a pecuária, havia o Brabov. Aegro, FarmBox e Agridados foram opções para auxiliar na lavoura. Acerto Fácil Pagamentos, Elysios, Mais Soja, Pomartec, Silo Verde e Tryber completam a lista de startups desta edição.
O Salão do Empreendedor também focou no conceito “Do campo à mesa” na Expointer, em cima de três produtos agropecuários: carne, soja e vinhos. O espaço da carne contou com a Vitrine da Carne Gaúcha e uma mercearia futurista. Nos vinhos, havia espaço interativo, pequena indústria modelo (Senai-RS), exposição de rótulos e quiz de aromas (Senac-RS) e uma cave para oficinas (Embrapa, Ibravin). Na área da soja, tratou-se do valor agregado do grão e de manejo integrado de pragas.
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