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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Farm busca exportação única para arroz, leite e trigo
 
A exportação agropecuária brasileira é concentrada em dez produtos, e a diversificação traria benefícios. No entanto, ações nesse sentido podem esbarrar numa competição excessiva com os países do Mercosul, que apresentam ofertas similares. “Em vez de competirmos internamente, criando uma disputa dentro do nosso próprio bloco, como frequentemente acontece com os produtos agropecuários do Mercosul, podemos olhar para fora, procurar de forma conjunta compradores para os nossos produtos. Isso é especialmente válido para o leite, o arroz e o trigo”, afirma o presidente da Farsul, Gedeão Pereira.
Foi essa a principal abordagem do encontro da Federação das Associações Rurais do Mercosul (Farm), durante a 41ª Expointer. Exemplos concretos foram apresentados pela superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra, que enxerga um mercado em expansão na Ásia. A ideia é que os representantes de Argentina, Paraguai e Uruguai, além do próprio Sistema CNA, confiem as informações aos governos federais dos respectivos países. No fim das contas, poderia existir até mesmo uma redução de atritos internos, como a ocasionada pela elevação da entrada de leite uruguaio no mercado brasileiro no ano passado. Os países venderiam produtos em comum para fora do bloco, em vez de trocá-los entre eles.
Além disso, novamente a reunião teve questionamentos acerca do plano brasileiro de retirada da vacinação contra a febre aftosa até 2021, para avançar no status sanitário até 2023 junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O debate contou com aprofundamento da proposta pelo diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, Inácio Kroetz. Representantes da Farm manifestaram preocupação em relação aos estados que fazem fronteiras com outros países da América do Sul, que poderiam ficar vulneráveis ao surgimento de focos da doença, mas reiteraram a liberdade do governo brasileiro de promover mudanças em suas regulações internas. Para Kroetz, a vacina não deve ser retirada até que se tenha certeza sobre as condições de segurança do rebanho a longo prazo. “É preciso ter uma gestão transparente entre as partes e a consciência de que sanidade é uma responsabilidade compartilhada”, disse.
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