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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Custos de produção disparam e cobram eficiência
 
O produtor gaúcho está novamente diante de uma das safras de grãos mais caras da história, aponta levantamento do projeto Campo Futuro, parceria entre Sistema Farsul, CNA e o Centro de Estudos Avançados em Pesquisa Aplicada (Cepea) da Esalq/USP. Para a soja, cultura mais relevante economicamente para o Estado, o custo de produção está em R$ 3.303,54, equivalente a 8,8% acima do mesmo período do ano passado. A mesma tendência aparece para o arroz, em R$ 7.032,56 (+4,6%), e para o milho, em R$ 4.306,85 (+9%).
A principal influência para a disparada dos custos foi a desvalorização do real frente ao dólar. No início de janeiro, a moeda americana estava cotada a R$ 3,26, enquanto em agosto, mês de referência da análise do Campo Futuro, ela superou os R$ 4,00 - alta de quase 25% em pouco mais de oito meses. O economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, explica que grande parte dos insumos, sobretudo fertilizantes e agroquímicos, são importados. Ou seja, o gasto, em reais, aumenta.
Para piorar, a Petrobras vem anunciando altas significativas no preço de comercialização do diesel, depois de o governo congelar os valores como contrapartida pelo fim da greve dos caminhoneiros. A referência passou de R$ 2,03, o litro, em 30 de agosto, para R$ 2,36, em 30 de setembro, elevação de 16,2%. “O reajuste pega a produção rural no preparo do solo, no plantio, nos tratos culturais, na colheita e no transporte. Impacta todo o processo, o que faz com que o efeito inflacionário no custo de produção seja cumulativo”, analisa o economista.
A maior preocupação dos agricultores é que a remuneração da safra depende do câmbio no momento da colheita, considerando que grande parte da produção é exportada e que a venda externa é um importante balizador de preços também no mercado interno. Do contrário, há risco de prejuízo. A projeção é difícil, no momento de eleição dos principais cargos políticos do país, que traz fortes oscilações com base nos resultados, além da política externa atualmente marcada por uma guerra comercial entre China e Estados Unidos.
Da Luz entende que o produtor deve ter uma “obsessão por eficiência” neste período de plantio da nova safra de verão. “Ele não pode gastar com uma gota ou grama de produto mal empregado, precisa plantar na velocidade correta, com o clima certo”. Afirma ainda serem alternativas para redução de risco, principalmente pela volatilidade do câmbio, firmar contratos de venda antecipada ou de troca por insumo de parte da produção.
Aumentar as margens também passa por cortar custos, defende o economista, o que em nada tem a ver com menor investimento em tecnologia. Consiste, na verdade, em observar as tendências de mercado e comprar os insumos em épocas de baixa, em geral antes da entrada do custeio, em julho. Eis o problema para quem ainda não segue a recomendação: é algo para se fazer somente no ano que vem. “Aqueles que acompanham as recomendações compraram os insumos nos meses corretos e estão mais tranquilos. Isso chega a fazer uma diferença de 3% a 4%, que pode até parecer pouco, mas numa margem de lucro comum de 10%, aumenta a lucratividade entre 30% e 40%”, destaca ele.
Todo produtor tem fácil acesso a essas informações: elas estão contidas nos relatórios de final de ano do Sistema Farsul, disponível no site da entidade e em formato impresso nos sindicatos. Nas quatro grandes lavouras gaúchas (soja, arroz, trigo e milho), o melhor momento para a aquisição de fertilizantes foi em maio, por exemplo. No caso dos herbicidas, a época ideal variou entre janeiro (milho e trigo), fevereiro (arroz) ou primeiro semestre (soja). Para fungicidas, entre janeiro (arroz) e maio (milho, trigo e soja). Para inseticidas, entre janeiro (trigo) e agosto (arroz e soja). A análise também foi realizada pelo projeto Campo Futuro. O diagnóstico, que considera mais de um ano-safra na composição, será atualizado em dezembro.

Safra
Primeira cultura de verão a ser implantada, o milho alcançou o percentual de área semeada de 42% no final de setembro, apesar da ocorrência de chuvas. Algumas lavouras já estavam recebendo adubação nitrogenada de cobertura e intensificando o controle de ervas daninhas no período, com boa emergência de plantas e uniformidade, conforme a Emater/RS. A entidade confia em aumento de 5,5% na área plantada, estimada em 738 mil hectares, por conta de um avanço de 40% em um ano nas cotações do saco de 60 quilos - estava em R$ 38 no fim do mês, contra R$ 26 no mesmo período do ano passado.
A cultura mais prejudicada pela chuva no período foi o arroz, ainda em fase de preparo da lavoura. As condições climáticas adversas chegaram a interromper as atividades em alguns locais, segundo a Emater/RS, o que pode atrasar o início do plantio. Na maior parte das regiões, a semeadura começa a partir da segunda semana de outubro. A entidade projeta 1,05 milhão de hectares no Estado, queda de 1,7% em relação à safra passada, que deve gerar quase 8 milhões de toneladas.
Quanto à soja, o avanço em área é estimado em 2,3%, alcançando 5,89 milhões de hectares. O plantio, que começa no início de outubro, foi aberto oficialmente em Júlio de Castilhos, em 28 de setembro, com presença do diretor administrativo da Farsul, Franscisco Schardong.
Os principais centros internacionais de meteorologia indicam probabilidade superior a 60% de que seja registrado novo episódio de El Niño no final da primavera e início do verão de 2019, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a partir de informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, afetando a distribuição das chuvas. Se confirmado, porém, deverá ser de curta duração e intensidade baixa ou moderada, adverte o órgão federal. No Rio Grande do Sul, as chuvas deverão ficar acima da faixa normal e com temperaturas médias dentro da normalidade.
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