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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Editorial
 
As semanas recentes têm justificado a afirmação de que a agricultura é uma das atividades econômicas mais imprevisíveis do mundo, se não a líder nesse quesito. O trigo gaúcho, por exemplo, parece prestes a ter a safra de melhor remuneração dos últimos anos. Veja bem: não é a mais produtiva, aquela a que o clima mais ajudou, a que o produtor foi mais eficiente, mas sim a que deve cobrir custos e deixar alguma renda no campo, que há anos se pergunta se vale a pena investir no cereal por aqui. Os motivos? Quebra de safra no Paraná, dólar alto e a volta de uma política pré-histórica na Argentina.
Ou seja, além de torcer pelas condições climáticas corretas, que favoreçam o desenvolvimento da lavoura, o triticultor precisa - e depende - de vários fatores externos, igualmente aleatórios, para garantir o retorno do investimento. Algumas chuvas a mais e os produtores paranaenses poderiam estar colhendo normalmente, bem antes dos gaúchos, e pressionando as cotações. O Brasil poderia estar com a economia nos trilhos e, por consequência, com uma moeda valorizada. A situação dos argentinos poderia ser melhor, e assim eles não precisariam apelar novamente para o tenebroso mecanismo de taxar a exportação de commodities, com a meta de fechar acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Seis tentativas e a sorte veio.
Também é chegada a hora de montar a safra de grãos de verão, tarefa que o produtor tem executado com preocupação. O mesmo câmbio que protege o trigo nacional eleva o preço dos insumos importados e contribui para a disparada dos custos. Novamente, não basta fazer tudo certo dentro da porteira para ter resultado: o câmbio no momento da colheita define as margens, até para quem não exporta, porque o mercado internacional é um forte balizador de preços em um setor tão forte como o brasileiro.
Por essas e outras que a Farsul trabalha com uma meta clara: dar mais segurança ao produtor gaúcho. Não faz sentido discutir ano após ano a taxa de câmbio, praguejar contra o dólar. São os projetos e os investimentos que podem mudar essa realidade. Estabelecer uma logística eficiente que garanta ao produtor ser competitivo sob qualquer circunstância e em qualquer destino, por exemplo, ou ter um seguro agrícola que traga renda mesmo nos anos de completa adversidade. Vencidas essas etapas, seria bem mais provável que o trigo tivesse cinco safras boas para cada ruim, e não o contrário. E plantar na primavera certamente não afloraria tanto os nervos.
Naquilo que cabe ao agricultor, resta a eficiência. Produzir mais, gastando menos. Algo que passa, necessariamente, pelo acesso a informações atualizadas e a novas tecnologias. O Senar-RS avançou mais um passo nesse sentido, lançando um programa específico para reduzir os casos de deriva de agroquímicos no Estado, o Deriva Zero, que pegou a estrada rumo a 5 mil atendimentos. A incerteza aqui não cabe: aplicar corretamente é uma questão de informação. Passa longe de ser um problema do outro: o bolso agradece.
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