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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Farsul defende padronização de agroquímicos no Mercosul
 
Além de aprovar a proposta parlamentar que traz mais celeridade no registro e liberação de novas moléculas (Lei dos Agroquímicos), o Brasil precisa buscar uma padronização no uso de defensivos agrícolas com o Mercosul. A medida foi defendida pelo presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, no evento Tá na Mesa, da Federasul, dia 19 de setembro, e de fato está sendo discutida pelos governos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e outros.
Caso seja colocada em prática, ela acabaria com uma das maiores contradições das agências de controle brasileiras: a de proibir a aplicação de um produto no país, mas não evitar que mercadorias produzidas dessa forma nos países vizinhos entrem e sejam comercializadas livremente no território nacional. É o caso do arroz, por exemplo, que assim perde em competitividade em relação ao produto paraguaio.
Gedeão também defendeu maior liberdade comercial entre os países do bloco. Segundo ele, ao longo de 27 anos, a única liberdade alcançada foi o trânsito menos burocrático de cidadãos na fronteira. Citou ainda o fato de que rodadas de negociações entre Mercosul e União Europeia, por exemplo, contam com dezenas de representantes sul-americanos - cada um “com a sua bandeira” - e alguns poucos europeus do outro lado, demonstrando o desencontro nas posições. “É preciso agir verdadeiramente como bloco, com visão não para a disputa interna, mas para a busca de outros mercados”.
Nesse sentido, ele citou como mais relevante o acordo de livre comércio com a Coreia do Sul, que esbarra “mais aqui do que lá”, com o medo das indústrias brasileiras na concorrência com os coreanos. Para o agronegócio, por outro lado, o acerto representa a abertura do 11º maior importador de alimentos do mundo. Outro possível acordo visto com bons olhos envolve o Canadá, além da ampliação do comércio com a China e a arrastada negociação com a União Europeia. Esta esbarra na questão das indicações geográficas (envolve inclusive proibições de nomes no território nacional) e na cota de carne bovina (o pedido foi de 300 mil toneladas, foram aceitas 99 mil toneladas e o novo pleito é por 160 mil), entre outros pontos.
Diante do setor empresarial gaúcho, o presidente da Farsul destacou a importância do agronegócio por tudo que movimenta na economia, antes, durante e depois da porteira. Quando o agronegócio vai bem, ele gera emprego e renda e automaticamente beneficia os setores de indústria, comércio e serviços, lembrou Gedeão. Também deve-se ao campo o superávit da balança comercial e as reservas cambiais brasileiras, disse.
Os demais palestrantes do Tá na Mesa foram a coordenadora do Observatório Gaúcho da Carne, Andréa Veríssimo, e o diretor-presidente da empresa de máquinas agrícolas Super Tratores, Paulo Costabeber. “O Brasil é o país mais competitivo do mundo no setor do agronegócio. Precisamos aproveitar esse potencial e valorizar nosso mercado”, disse o empresário. Por meio de estudos próprios, Andréa valorizou o incremento da tecnologia: com ela, o Brasil pode aumentar em 41% a produção de alimentos até 2027, número superior a de qualquer outro país.
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