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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Safra de trigo deve ter remuneração, ausente há cinco anos
 
Nos últimos cinco anos, o produtor de trigo gaúcho alternou safras boas e ruins, mas nenhuma delas gerou o retorno financeiro esperado. A virada pode acontecer em 2018, em que tanto o clima quanto o mercado trazem otimismo a quem persiste na cultura de inverno. “Está se desenhando uma safra remuneradora, o que não temos há muito tempo”, afirma o presidente da Comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Jardim. A abertura da colheita do grão aconteceu em 28 de setembro, durante a 1ª Fenatrigo Tec, em Cruz Alta, com participação do presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira.
Ao final de setembro, a cotação do saco de 60 quilos de trigo (R$ 42,42) estava 24,7% mais alta que a registrada no mesmo período do ano passado (R$ 34,00), segundo a Emater/RS. Também superava a média histórica (R$ 39,56) em 7,2%. Jardim atribui o cenário positivo de preços à quebra de cerca de 20% da produção paranaense, que sofreu com a seca este ano e colhe antes dos gaúchos, além da retomada da política de taxar exportações na Argentina (retenciones) e a elevação cambial, que desencorajam a internalização do trigo no Brasil e puxam o mercado nacional. “Já podemos afirmar que serão esses os patamares que teremos para venda. Pode ainda oscilar um pouco para cima ou para baixo em função da qualidade apenas”, confia o dirigente.
O mês definidor para a grande região tritícola, este ano, é outubro. É uma situação anormal, criada em função do atraso no plantio. Na virada do mês, mais da metade das lavouras estava na fase de enchimento de grãos. Mas isso não tem causado prejuízos à cultura, pelo contrário: o clima até agora tem contribuído para uma safra “maravilhosa”, nas palavras de Jardim, exceto relatos pouco significativos de geada em agosto e de acamamento no final de setembro. Resta ao produtor torcer por pouca chuva e pela ausência de temperaturas elevadas em outubro para atender às exigências da indústria, incluindo a moagem local e mercados brasileiros mais distantes. “O trigo gaúcho pode fazer o mercado olhar para ele como fonte de abastecimento nos próximos 12 meses”, afirma.
O auge da colheita acontecerá em novembro, quando são esperadas entre 1,8 milhão e 2 milhões de toneladas de trigo no Estado, em área total de 700 mil hectares. A produtividade média ficaria entre 2.571 quilos e 2.857 quilos por hectare - equivalente a 43 e 47 sacos, respectivamente. Em média, o índice é de 40 sacos.
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