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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Fumicultores querem reaproximação dos preços nos tipos 1 e 2
 
O produtor de fumo da Região Sul recebeu, em média, R$ 9,15 pelo quilo do tabaco na safra passada, de acordo com levantamento da representação formada por entidades dos três estados, incluindo Farsul, Fetag-RS e Afubra. O resultado, porém, poderia ser melhor para os agricultores se a distância entre os tipos 1 e 2 das classes (X, C, B e T), subclasses (O, L, R e K) não estivesse cada vez maior, ano a ano. “Às vezes, a diferença chega a mais de 40%, dependendo da classe. Queremos que os valores fiquem mais próximos, reajustando mais o tipo 2”, afirma o presidente da Comissão do Fumo da Farsul, Mauro Flores.
Diante dessa discrepância significativa, o produtor acaba fortemente penalizado em situações de superoferta no mercado, quando as indústrias tendem a aumentar o rigor na classificação do produto, que ocorre no momento da compra. Foram registrados casos no início da colheita do ciclo 2017/2018, por exemplo, o que depois foi desencorajado com a venda dos estoques para países como Bélgica, Estados Unidos, Indonésia, Rússia e Alemanha, na ordem de 107,1 mil toneladas de tabaco apenas no primeiro trimestre.
A comissão interestadual apresentou prévia de projeto de reestruturação dos valores das classes às empresas fumageiras, individualmente, nos dias 4 e 5 de setembro, na sede da Afubra, em Santa Cruz do Sul. O percentual de reajuste a ser negociado, por outro lado, ainda depende da quarta e última coleta de dados para o levantamento do custo de produção da safra 2018/2019, que ocorre em novembro.
Após o encontro, a comissão divulgou nota em que recomenda aos produtores que estes contatem a empresa integradora e cobrem assistência técnica suficiente para atingir o resultado esperado. Além disso, no entender da representação, eles devem plantar somente o que foi registrado com a indústria, adequando oferta ao mercado e evitando tanto a desvalorização do produto quanto o maior rigor na comercialização. “Ano passado chegamos a 686 mil toneladas de tabaco, mas o ideal para manter preço seria ficar na média de 600 mil toneladas”, afirma o presidente da Comissão dos Empreendedores Familiares Rurais da Farsul, Marco Antônio dos Santos.
O desafio é apostar em outras culturas, diversificando a renda. “A pequena propriedade hoje tem criação de galinhas, investe em horta, vaca de leite, comércio de leite e alguns até alugam áreas para plantio de soja. O tabaco vem dando a sustentabilidade financeira, mas não se pode ficar só nisso. Nem que seja apenas para subsistência, que já representa uma economia”, complementa. A área de fumo, somando Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, foi de 297,5 mil hectares na safra passada, com produtividade média de 2,3 mil quilos por hectare. Os gaúchos respondem por 54% da produção nacional. O faturamento total foi de R$ 6,3 bilhões na Região Sul.
De acordo com Flores, a região baixa do Estado deve começar a colheita em meados de outubro, enquanto as áreas altas têm enfrentado problemas no transplante de mudas de tabaco, pela chuva. “O excesso de umidade vai lavando os insumos da terra, o que acaba aumentando o custo de produção”, conta o dirigente. Além disso, o desenvolvimento das plantas é comprometido, com crescimento fora do padrão das folhas. Noites frias e pouca insolação são outros fatores de risco encontrados nos últimos dias.
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