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Nº 422 - ANO 32 - NOVEMBRO DE 2018
 
Trigo sofre com chuvas em outubro e perde qualidade
 
O excesso de chuva em outubro no Rio Grande do Sul comprometeu a safra de trigo que parecia ser a melhor dos últimos seis anos, em termos de rentabilidade. Ao final de outubro, quando metade da área estava colhida, a avaliação era de que as condições climáticas adversas favoreceram a forte incidência de doenças fúngicas, como giberela, septoriose e brusone, levando à redução de produtividade e à baixa qualidade na maioria das lavouras gaúchas. Dessa forma, poucos produtores devem ter condições de entregar os padrões mínimos da indústria nacional, despejando a safra em mercados periféricos e procurando empatar com o custo de produção.
O presidente da Comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, otimista no mês passado quanto à remuneração no campo, agora lamenta o episódio. “O que traz remuneração ao produtor é a qualidade. Esperávamos que esta pudesse reverter a sequência de safras ruins. Se o produtor que investiu ficar no zero, já está no lucro”, afirma. O dirigente alerta ainda para o fato de que parte significativa das lavouras é financiada por terceiros, o que agrava a situação. “Grande parte não terá remuneração no valor investido, o que se traduz em mais desestímulo para a safra de inverno no futuro”.
A frustração na qualidade é maior pelo cenário favorável de mercado que se desenhava há poucas semanas. A cotação do trigo chegou a estar quase 25% maior que no ano passado, ao bater em R$ 42, o saco de 60 quilos. Os motivos eram a quebra de safra paranaense, a retomada da política de taxar exportações na Argentina e a elevação cambial, que resulta em menos importação. Faltava o clima ajudar no mês definidor atípico, outubro neste ano, porque o plantio atrasou.
De acordo a Emater/RS, alguns produtores, já em outubro, acionaram o Proagro em parte das operações financeiras. Até o final do mês, a qualidade do produto colhido variava entre 76 e 78 de pH, com baixa força de glúten (W). Ou seja, na média, o trigo estava inviável para a indústria nacional. Os números finais devem ser divulgados em novembro.
Arroz
Outra cultura que enfrenta problemas com o clima é o arroz. E pelo mesmo motivo: o clima chuvoso, que impediu a entrada das máquinas na lavoura. Segundo a Emater/RS, a semeadura alcançou, ao final de outubro, 64% da área projetada nesta safra. A notícia acende um sinal de alerta no campo, considerando que o alongamento do calendário tradicionalmente não beneficia o grão em termos de produção.
De acordo com o presidente da Comissão do Arroz da Farsul, Francisco Schardong, a área deve ficar em torno de 1 milhão de hectares, recuando em relação ao ciclo anterior. Um dos motivos do abandono é o custo de produção, que deve ter alta de 4,6% contra 2017. Ficou em R$ 7.032,56 por hectare pelos números de agosto do projeto Campo Futuro (CNA, Cepea/Esalq e Sistema Farsul). Outro problema é a fonte de financiamento: a avaliação inicial é de que ainda mais agricultores nesta safra buscaram crédito fora das instituições oficiais (em torno de 70% no ano passado). A questão está diretamente ligada com a descapitalização do setor e pesa quando os produtores são obrigados a entregar o arroz em épocas de baixa. “A recuperação econômica dos arrozeiros na safra é um grande ponto de interrogação”, entende Schardong.
De positivo, observa o dirigente, há o mercado internacional aquecido, com recordes de exportação de arroz em diferentes momentos de 2018, além dos praticamente ausentes estoques de passagem na indústria. Este último ponto é obra de mobilização do setor no ano passado, capitaneada por Farsul, Federarroz e outras entidades, num momento de crise tamanha que a única saída eram leilões de escoamento por parte do governo federal. A conquista pode se estender até a safra 2018/2019, considerando que os preços variam entre R$ 44 e R$ 45, no saco de 50 quilos do produto, nas principais praças gaúchas. “Neste momento, esse preço é da indústria. O produtor tem muito pouco arroz na mão. Mas é algo que sinaliza positivamente”, diz Schardong.

Milho
O plantio da safra regular de milho estava terminado nas regiões do Planalto Médio e Alto Uruguai, ao final de outubro. As demais regiões produtoras avançavam normalmente, com 68% da área total pronta para o desenvolvimento. Segundo a Emater/RS, o estado das lavouras do cedo apresentavam padrão “muito bom”, por conta de dias ensolarados e temperaturas altas durante a tarde e amenas à noite, além de boa sanidade.
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