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Nº 422 - ANO 32 - NOVEMBRO DE 2018
 
Eleição traz novas perspectivas ao agronegócio brasileiro
 
Para a Farsul, a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) na eleição presidencial representa um novo direcionamento para o país, alinhado com o pensamento do empresariado brasileiro. Assim definiu o presidente da entidade, Gedeão Pereira, pouco depois da confirmação do resultado, em 28 de outubro. Bolsonaro obteve 57,8 milhões de votos (55,13%) no segundo turno, contra 47 milhões do petista Fernando Haddad (44,87%) e inicia a transição de governo com o anúncio de ministérios. “Venceu o candidato que está alinhado com a classe empresarial brasileira e que entende que o direito de propriedade deve ser respeitado, e não relativizado, como tem sido nos últimos 22 anos”, disse Gedeão.
Ainda enquanto candidato, Bolsonaro visitou a Casa da Farsul na Expointer 2018. Ele recebeu documento com 10 medidas formuladas pela entidade para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro e participou de longo encontro com diretores, presidentes de sindicatos rurais e técnicos do Sistema Farsul. Nele, prometeu uma série de ações, como tipificação da invasão de terra como terrorismo, veto a novas demarcações indígenas, agenda de privatizações, manutenção a Lei Kandir, porte de arma de fogo no meio rural e revisão da posição brasileira no Mercosul.
De acordo com Gedeão, a primeira sinalização do novo governo - de que os ministérios devem ser reduzidos pela metade e serem ocupados por indicações técnicas, não políticas - já apontam para rumos diferentes. “A Farsul sempre vem reforçando a necessidade de encolhimento do Estado, que hoje não é mais atividade meio, mas sim atividade fim. Ele precisa se concentrar naquilo que é sua essência: segurança, saúde e educação”, defende ele.
Mesmo a proposta de unir o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), que causa divergências de ideias no próprio setor, é vista com bons olhos pelo dirigente, considerando a promessa de Bolsonaro dar peso maior para indicação do setor produtivo à pasta. “A verdade é que o Ministério do Meio Ambiente virou uma ONG nos últimos anos. Não cumpre mais com a função de auxiliar no desenvolvimento, adotando um ranço ideológico que prejudica a todos”. Gedeão afirma que o Brasil tem “a legislação ambiental mais rigorosa do mundo, que tem que ser respeitada”, e essa realidade deve ser mostrada em nível internacional para amenizar tentativas de imposições de barreiras comerciais com base na união dos ministérios.

Renovação no Piratini
O presidente da Farsul também elogiou o novo governador gaúcho eleito em outubro, Eduardo Leite (PSDB). O ex-prefeito de Pelotas superou José Ivo Sartori (MDB) com 3,12 milhões de votos no segundo turno (53,62%), contra 2,7 milhões do atual governador (46,38%). Ambos os candidatos adotaram discursos de proximidade com o setor empresarial na campanha, defendendo gestões realistas e adesão ao Regime de Recuperação Fiscal da União. “Eduardo Leite participa do nosso ideário, fundamentalmente pela diminuição do tamanho do Estado. Os empreendedores gaúchos não conseguem mais pagar essa conta”, afirmou ele. O candidato também participou de visita à Casa da Farsul na Expointer, acompanhando Geraldo Alckmin (PSDB) e Ana Amélia Lemos (PP), chapa federal do partido. Leite tornou-se o governador mais jovem eleito no Rio Grande do Sul.

Bancada cresce
A nova composição legislativa, tanto no âmbito federal quanto no estadual, deve acelerar as reformas de Estado, aponta levantamento da Farsul. Análise da entidade indica que houve evolução significativa nos representantes de pensamento liberal, que tendem a se mostrar parceiros do setor e dar ânimo a pautas relevantes como as reformas tributária e da previdência, a modernização da legislação de defensivos agrícolas e agenda de privatizações.
Trinta partidos diferentes detêm cadeiras na Câmara dos Deputados agora, com uma renovação de 51%. Bancadas tradicionais tiveram perdas significativas, como MDB, PSDB, PTB e PT. A bancada que mais cresceu foi a do PSL, que aproveitou a popularidade do candidato à Presidência Jair Bolsonaro para computar 52 cadeiras, tornando-se a segunda maior força na Câmara. Pelos cálculos da assessoria parlamentar do Sistema Farsul, mais de 240 deputados federais devem compor a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) em 2019, o que representa avanço de, no mínimo, 3% no número de integrantes. A Farsul mantém relações próximas com 15 dos gaúchos eleitos (são 31 no total) e deve buscar o diálogo com estreantes.
A taxa de renovação ao Senado Federal foi altíssima: 85%, com apenas oito reeleições, entre 54 cadeiras em disputa. Para a Farsul, a grande conquista foi a eleição de Luis Carlos Heinze (PP), que ocupa agora a vaga da ex-senadora Ana Amélia Lemos.
No âmbito estadual, a Farsul também está otimista: realizar reformas e privatizar estatais devem ser tarefas menos ingratas nesta nova legislatura. Vinte e um deputados, de um total de 55, estão bem relacionados com a Federação da Agricultura do Estado. O número de estreantes é de 28, quase 50% das vagas.
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