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Nº 422 - ANO 32 - NOVEMBRO DE 2018
 
Dragagem do porto de Rio Grande é iniciada
 
Após cinco anos, o porto de Rio Grande volta a receber dragagem de manutenção do calado, que consiste na retirada de até 16 milhões de metros cúbicos de sedimentos acumulados no fundo do canal. A medida deveria acontecer ano a ano, mas se transformou em um dos principais pleitos da Farsul e outras entidades do setor empresarial desde 2014. A ordem de início dos trabalhos foi assinada pelo ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Valter Casimiro Silveira, dia 26 de outubro, em cerimônia no cais. O prazo de conclusão é de 10 meses, sob responsabilidade de consórcio formado pelas empresas Jan de Nul e Dragabrás.
Para tanto, o governo federal investirá cerca de R$ 300 milhões, sem participação ou contrapartida estadual. Os valores finais dependem do volume exato de sedimentos retirados. Segundo o superintendente do porto de Rio Grande, Janir Branco, a remoção permitirá ao complexo receber embarcações de até 365 metros de comprimento, dando segurança para as operações no atual calado homologado (12,8 metros, 42 pés). Ao final do processo, ainda será avaliada a homologação de um calado de 14 metros (46 pés) pela Marinha.
A reclamação pela ausência de dragagem é motivada pela subutilização e redução de prêmios no porto, responsável por 90% das exportações gaúchas. Diretor da Farsul, Fábio Avancini Rodrigues explica que, para operar com segurança, os navios estavam carregando menos do que a capacidade embarcável, encarecendo o custo de frete e reduzindo a rentabilidade do produtor. Em abril, navios de soja chegaram a ficar parados por cinco dias em Rio Grande, à espera de maré alta, causando prejuízos generalizados por atraso nas entregas. Pelos transtornos recentes, especialistas também avaliaram que o porto poderia ser “rebaixado” para 11 pés, limitando operações com navios menores e embarcações parcialmente carregadas.
Segundo Rodrigues, a Farsul está cobrando do poder público a realização de uma batimetria (aferição e mapeamento de profundidade) imediata, de modo a resolver os problemas pontuais primeiro e minimizar efeitos já nesta safra. “Tem de ser uma ação inteligente”, defende ele. A longo prazo, por outro lado, o setor pede revisão da forma como os contratos são firmados. “A dragagem deve ser feita por resultado, contratando uma empresa para manter o calado ao longo dos anos”, afirma.
Sobre a homologação de um calado em 14 metros, a estimativa é de que seja possível acrescentar de 10 mil a 12 mil toneladas de carga, o que representaria avanço em eficiência e competitividade. A manutenção do mesmo, por outro lado, depende de uma melhor gestão pública, avalia o dirigente, o que passa necessariamente pelo reinvestimento das taxas de embarque (cerca de R$ 70 milhões/ano) na infraestrutura do canal.
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