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Nº 429 - ANO 33 - JUNHO DE 2019
 
Editorial
 
Nesta edição do Sul Rural, há dois perfis. O primeiro é fácil de identificar e está na página central: Gedeão Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), mostra o trabalho que faz na Estância Santa Maria, de Bagé, com investimentos pesados em genética e agricultura de precisão, diversificação de culturas e visão particular de mercado. Como líder sindical, compreende os problemas enfrentados pelos produtores porque, na realidade, eles também são seus.
O outro perfil está na contracapa: é o do mais jovem governador eleito no Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que mais uma vez esteve na Farsul para discutir os planos da gestão nos próximos quatro anos. A reportagem não fala da vida pessoal do político, nem o visita em casa — deixa evidente, porém, o pensamento lúcido que este irá empregar no Palácio Piratini. Disse ele, a certa altura: o direito de propriedade não é apenas uma questão de liberdade individual, mas também fator de estímulo ao investimento privado e à geração de empregos. Com o perdão da redundância, discursos também dizem muito sobre o indivíduo.
Outra boa notícia vem de Brasília: o anúncio da deputada federal e presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), Tereza Cristina, como ministra da Agricultura do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Ela começa no cargo com amplo apoio do setor produtivo, que observou no empenho dela em aprovar a lei de modernização dos registros de agroquímicos uma mostra de compromisso com os interesses dos produtores rurais brasileiros. Que faça uma corajosa gestão, voltada para a redução do custo de produção brasileiro, para a ampliação do seguro agrícola, para a conquista de novos mercados, sobretudo o de países asiáticos.
Por essas e outras questões, a “virada” do ano que se aproxima parece fazer mesmo jus à expressão. As expectativas do campo são altas — talvez estejam no maior patamar dos últimos 25 anos. Porque o produtor gaúcho e brasileiro sabe bem que o agronegócio de que faz parte é um dos mais avançados do mundo, capaz de crescer na crise, ainda que não esteja imune aos nefastos efeitos dela. Imagine então com a colaboração de líderes e autoridades capazes de enxergar a importância do setor e de colocar em prática ideias ágeis e pertinentes ao seu desenvolvimento.
Mas engana-se quem pensa que essa confiança é cega. A temporada da pecuária, apesar de positiva, teve reação ainda tímida na comercialização. O arrozeiro segue apreensivo com a disparada dos gastos e das dívidas, assim como o triticultor ainda sonha com uma safra remuneradora de novo. Os problemas existem e precisam ser enfrentados com urgência. Aproveitando o ensejo da safra: sementes foram espalhadas na terra. Que cresçam na forma prometida e no clima que vier, sem nunca abandonar as raízes.
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