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Nº 423 - ANO 32 - DEZEMBRO DE 2018
 
Temporada de primavera eleva média dos touros em 8,5%
 
A temporada de remates de primavera terminou com alta de 8,5% na média dos touros (R$ 9.565) e estabilidade na oferta (3.729 animais), aponta levantamento da Farsul e do Sindicato dos Leiloeiros Rurais do Estado (Sindiler-RS). O resultado indica recuperação do setor, que praticou a menor média dos últimos sete anos em 2017, em termos reais, após turbulências de mercado como Operação Carne Fraca, delação de executivos da JBS e fechamento de frigoríficos locais e no Brasil Central. A avaliação geral é de que os valores finais de 2018 superaram as expectativas.
De acordo com o presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Farsul, Francisco Schardong, os 33 eventos que tiveram representação da entidade no interior do Estado apresentaram uma realidade em comum: poucos animais puros de argola a galpão e liquidez nos remates de rústicos. A primeira realidade deve-se ao custo que o pecuarista tem de arcar para expor os animais, destaca. Já a pista limpa dos rústicos teve contribuição de inúmeros compradores de fora do Rio Grande do Sul. “Os preços não foram espetaculares, mas pela economia de momento, consideramos bons”, completa o dirigente.
A lamentar, somente o recuo na comercialização de fêmeas, tanto nas médias (7,7%) quanto na quantidade de animais arrematados (37%). A situação é inversa ao ano passado, quando foram os machos quem sofreram mais. Schardong entende que pode haver relação com o desaquecimento de venda de gado em pé para a Turquia — que, além de representar uma oportunidade comercial ao pecuarista gaúcho, ajuda a elevar o preço médio interno praticado. Na temporada de outono deste ano, por exemplo, a média subiu 5,43%, enquanto a exportação de animais vivos cresceu 162% no primeiro semestre. “O desempenho nos ventres está sempre muito ligado ao mercado de terneiros”.
O levantamento contempla exposições agropecuárias e remates particulares. Em Lavras do Sul, por exemplo, três remates de touros e ventres venderam 1.550 animais, com a marca da liquidez, conta o presidente do sindicato rural do município, José Antônio Fabrício de Souza. “Dentro da realidade atual, foram bem razoáveis (os leilões). Pela qualidade dos animais ofertados, o interesse foi grande. Não podemos nos queixar”, afirma. A 75ª Expolavras somou R$ 2,94 milhões em remates de bovinos.
A próxima temporada, por outro lado, tende a trazer um cenário diferente.
O presidente da Conexão Delta G, Eduardo Eichenberg, também lembra das possibilidades de mercados como Irã, Arábia Saudita e Egito — que, mesmo com preços menores, trazem segurança no investimento de cria. Já sobre o desempenho desta primavera, afirma que os 11 remates do grupo associado teve liquidez e bons preços. “A maioria ofereceu a mesma quantidade de touros e houve demanda, ou seja, o mercado absorveu essas quantidades”, avalia. Além do Brasil Central, a Região Noroeste e as Missões foram grandes compradoras, pela capitalização da soja. Outro destaque foi o recorde de comercialização da raça Hereford no país, R$ 80 mil, pelo touro Mike Tyson, da Estância Guatambu.
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