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Nº 429 - ANO 33 - JUNHO DE 2019
 
Estimativa da colheita do trigo é de 1,8 milhão de toneladas
 
A colheita do trigo chegou ao fim no Estado, com expectativa de 1,8 milhão de toneladas em área de 700 mil hectares – produtividade média de 2.570 quilos por hectare. Desta produção, no mínimo 600 mil toneladas serão destinadas para ração, em virtude da quebra de qualidade, motivada por geada no final de agosto e chuva excessiva no período de maturação do grão. Os dados foram apresentados pela Câmara Setorial do Trigo do Rio Grande do Sul, em 27 de novembro, na sede da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), em Porto Alegre.
O presidente da Comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, afirma que a safra é, sem dúvidas, melhor que a do ano passado, quando foram colhidas 1,2 milhão de toneladas. Mas esse fato não diminui o sentimento de frustração dos triticultores gaúchos, que confiaram em potencial de 2,5 milhões de toneladas antes do cenário climático adverso, com qualidade suficiente para abastecer os moinhos em troca de remuneração positiva. As cotações do trigo estiveram, durante o período de desenvolvimento da cultura, acima da média histórica.
A solução para o restante do trigo que não será transformado em ração é misturar com trigo argentino, relata Jardim. Isso porque, apesar da condição climática ruim, o nível geral de micotoxinas no produto não é alto (entre 1,2 mil e 1,3 mil partes por milhão), tornando possível o aproveitamento. A janela de exportação também está aberta até a entrada da safra de milho e depois a soja, que recebem prioridade. Segundo informações do terminal de Rio Grande, foram recebidas mais de 100 mil toneladas até o final do mês. Cooperativas têm contratos de venda antecipada sobre aproximadamente 470 mil toneladas.
O trigo também foi pauta recente em Brasília, com a reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Culturas de Inverno do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O grupo traz uma informação impactante: o Brasil precisará importar 7 milhões de toneladas de trigo estrangeiro nos próximos 12 meses, com gasto estimado de R$ 6 bilhões. Isso porque a produção brasileira é deficitária – vai colher, no máximo, 5,2 milhões de toneladas em 2018, frente ao consumo anual de 11,2 milhões de toneladas para a indústria nacional. Mesmo assim, nesse desequilíbrio de oferta e demanda, o produtor arca com prejuízos em série. “Vamos levar esse número, em breve, para a ministra Tereza Cristina”, adianta Jardim, presidente da câmara técnica, em referência à nova ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro.
A meta, segundo ele, é apresentar soluções que estimulem novamente a atividade no Rio Grande do Sul e em outros estados produtores, como o Paraná. “O grande problema está nas assimetrias do custo de produção no Mercosul”, afirma o dirigente. Estudo recente da assessoria econômica do Sistema Farsul apontou que o gasto dos triticultores brasileiros para o plantio de um hectare do cereal é até 42% maior do que na Argentina, por exemplo. Fruto do fechamento da economia brasileira e da alta e reincidente carga tributária.
Outras questões envolvem seguro rural, logística, a própria janela de exportação do produto e uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que entrará em vigor em 2019 e aperta os limites de resíduos no trigo, impondo rigor acima dos padrões internacionais. Para Jardim, mantido o cenário de desestímulo, a sustentabilidade de grande parte dos negócios está comprometida – é difícil manter o negócio só com a renda do verão, e o trigo ainda é necessário para a rotação do solo. “Soja plantada na resteva do trigo é outra coisa.”
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