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Nº 426 - ANO 33 - MARÇO DE 2019
 
Exportação de arroz mais do que dobra no ano
 
O esforço das entidades e do governo federal em realizar leilões de escoamento de produção de arroz surtiram o efeito esperado no Rio Grande do Sul e melhoram as perspectivas de mercado para o novo ciclo. De janeiro a outubro de 2018, o volume encaminhado para fora do país pelos gaúchos mais do que dobrou, passando de 474,6 mil toneladas para 1,02 milhão de toneladas (115,2%). A movimentação financeira total foi de US$ 323,2 milhões, avanço de 95,4% na comparação com 2017. Os números estão em relatório mensal da assessoria econômica do Sistema Farsul.
Para o assessor de Relações Internacionais da entidade, Renan dos Santos, a realidade abre novas perspectivas de mercado para o setor na safra 2018/2019. Isso porque o incremento nas exportações do grão significam, na prática, menos estoques de passagem na indústria. A tendência, a partir dessa menor oferta disponível, frente a uma demanda de consumo equilibrada, é de que as cotações reajam. “A conjuntura é positiva, mas tudo depende da safra”, avalia.
Na virada do mês, o saco de 50 quilos de arroz era comercializado a R$ 40,68 na média das praças gaúchas, segundo o Índice do Arroz em Casca Esalq/Senar-RS, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A valorização é de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando estava em R$ 37,21 — ou seja, três reais a menos no saco.
Preocupa, por outro lado, a descapitalização dos produtores, que força parte deles a acertarem o custeio fora do sistema oficial de crédito, com a contrapartida da entrega do produto em tradicionais épocas de baixa. “Ano passado, eram em torno de 70% dos agricultores, e a impressão é que o problema ficou ainda pior nesta safra”, lamenta o presidente da Comissão do Arroz da Farsul, Francisco Schardong. Pela crise, a expectativa do dirigente é de novo recuo em área, ficando em patamares próximos a 1 milhão de hectares. Outra dor de cabeça, o custo de produção elevado, está em R$ 7 mil por hectare, alta de 4,6% em relação à safra passada, conforme levantamento do Projeto Campo Futuro (CNA, Cepea/Esalq e Sistema Farsul).
O plantio estava praticamente finalizado (99%) em todas as regiões do Estado ao final de novembro, segundo o boletim conjuntural da Emater/RS. “O clima favoreceu a germinação e a emergência dos grãos”, destaca a instituição. Aplicação de herbicidas e irrigação ocorriam à época.

Comércio exterior
Mesmo diante de problemas graves, como greve dos caminhoneiros, tabelamento de frete e embargos comerciais, o agronegócio gaúcho supera em 4,7% as vendas externas do ano passado nos primeiros 10 meses do ano. O acumulado de 2018 alcançou a marca de R$ 10 bilhões em outubro.
Entre os destaques, está a soja em grãos, que aumentou o faturamento em 4,2%, chegando a US$ 4,16 milhões, mesmo com queda de 2,4% no volume exportado (10,4 milhões de toneladas este ano). A explicação está na valorização de 6,8% no preço médio do produto (US$/ton).
Os dados da assessoria econômica do Sistema Farsul, que acompanha plataforma do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), comprovam ainda o desaquecimento da venda de gado em pé. Em outubro, a venda foi de US$ 3,5 milhões, contra US$ 4,7 milhões do mês anterior e US$ 27,6 milhões de maio, recorde no ano. Fatores como época do ano, oferta disponível e problemas externos, sobretudo na Turquia, explicam o fenômeno. O acumulado deste ano é de US$ 83 milhões.
A maior decepção encontra-se no grupo carnes. Apenas os cortes bovinos tiveram valorização de janeiro a outubro (26%), em comparação com o recorte do ano passado, enquanto a carne de frango retraiu 34% e a suína, 31%. Como o peso dos últimos dois produtos é quase 10 vezes maior que o primeiro, o resultado geral é uma queda de 257 mil toneladas (29%), com faturamento total de US$ 1,66 bilhão, 32% menor que 2017. “O Rio Grande do Sul trabalha no limite de exportação da carne bovina, porque somente quatro frigoríficos são capazes de exportar (em um universo de 350 plantas). É uma pena, levando em conta a qualidade do produto”, afirma dos Santos. Já o mercado das carnes de frango e suínas teriam sido impactados, respectivamente, por barreiras comerciais de União Europeia e Rússia.
O agronegócio gaúcho ainda faturou mais na comercialização de frutas (39,4%), fumo (2,6%), farelo de soja (44,5%) e produtos florestais (49,8%) de janeiro a outubro de 2018, e menos na venda de milho (70,2%), trigo (70%), óleo de soja (2,9%), preparação a base de cereais (0,3%) e lácteos (74,9%). A China é o maior parceiro comercial do Estado (46,8%), seguida por Estados Unidos (3,6%) e Bélgica (2,9%).
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