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Nº 426 - ANO 33 - MARÇO DE 2019
 
Associação Hidrovias apresenta problemas de logística a Heinze
 
Representantes da Farsul e de outras entidades que fazem parte da Associação Hidrovias RS apresentaram os principais problemas de infraestrutura e logística do Estado ao senador eleito Luis Carlos Heinze, em reunião na sede da Federação, em Porto Alegre, dia 10 de dezembro. Próximo ao presidente Jair Bolsonaro, Heinze manifestou ideias do novo governo para melhorar o transporte hidroviário, ferroviário e rodoviário no escoamento de produtos agropecuários e se comprometeu em buscar soluções.
Diretor da Farsul, Fábio Avancini Rodrigues questionou o orçamento da União para a manutenção de eclusas, pouco mais de R$ 2 milhões para todo o Brasil. Somente as quatro principais gaúchas precisariam de R$ 84 milhões para funcionar adequadamente e dar garantias para os investimentos. Falou também na necessidade de rever a maneira como os contratos de dragagem são feitos, como no caso do Porto de Rio Grande. Segundo ele, o edital deveria prever a garantia do calado por múltiplos anos com uma mesma empresa, a exemplo do Rio da Prata, no Uruguai.
O coordenador do Grupo Temático de Logística do Conselho de Infraestrutura da Fiergs, Sergio Luiz Klein, levantou o problema da burocracia na navegação interior. “Para uma barcaça de grãos viajar da Grande Porto Alegre para Rio Grande, ela tem as mesmas exigências de um transatlântico”, disse. Lembrou ainda que o porto de Rio Grande está concedido ao Estado até 2022, e que a União deveria cobrar adequações em corpo técnico e reinvestimentos das taxas portuárias no local antes da renovação. Hoje, o recurso se perde no Caixa Único.
Participaram do encontro o vice-presidente da Farsul, Elmar Konrad; o assessor parlamentar da Fecomércio, Lucas Schifino; o vice-presidente da Federasul, Sebastião Ventura; e representantes da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) e de empresas operadoras em Rio Grande.

“Sempre quem paga a conta é o produtor rural”
Senador mais votado pelos gaúchos nas eleições gerais de outubro, Luis Carlos Heinze (PP) tornou-se um dos nomes mais influentes do governo Jair Bolsonaro. Sua trajetória parlamentar é marcada pela defesa dos interesses do campo. Ele conversou com o Sul Rural após reunião na sede da Farsul.

Sul Rural — Como o governo federal pode ajudar na logística e infraestrutura do Estado?
Luis Carlos Heinze — A primeira questão é a ambiental. Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e o próprio Ministério do Meio Ambiente travam o desenvolvimento de projetos em hidrovias e melhorias nos portos, sejam eles fluviais ou marítimos. Alinhamos aqui que representantes técnicos irão conversar com a equipe de transição nos próximos dias e contribuir para ações positivas do presidente Jair Bolsonaro já no início de 2019. Para a agricultura, solucionar os problemas no transporte é de extrema importância.

SR — Quais as prioridades que o senhor pretende trabalhar no próximo ano?
Heinze — Infraestrutura, principalmente. Tratamos aqui das hidrovias, mas temos que mexer também nas ferrovias, na questão das pontes, na duplicação de rodovias. Tudo para que o agro não tenha um custo tão elevado. O custo da logística é 18% da produção gaúcha atual, quando o normal seria até 9%. Essa diferença é tirada no preço da soja, no preço do arroz, na compra do fertilizante — ou seja, afeta diretamente a renda no campo. Sempre quem paga a conta é o produtor rural. Outro ponto que vamos tocar é na parte de energia. Grande parte das propriedades rurais não tem rede trifásica, tirando competitividade.

SR — Qual foi o peso do agronegócio nessas eleições?
Heinze — Para mim, foi muito importante. As pesquisas (eleitorais) eram feitas, e meu nome não aparecia (esteve em quarto lugar na maioria delas). Na verdade, elas não chegavam no interior do Rio Grande do Sul, onde sou conhecido, pela ligação com o agronegócio. Foram os pequenos municípios do Rio Grande, o pessoal ligado à agricultura, à pecuária e à produção, que me fizeram o senador mais votado nessas eleições.
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