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Nº 428 - ANO 33 - MAIO DE 2019
 
Morre Ary Faria Marimon, ex-presidente da Farsul
 
O agronegócio gaúcho perdeu mais um de seus líderes e referências: Ary Faria Marimon, ex-presidente da Farsul entre 1985 e 1991, faleceu em 28 de março, em Alegrete, aos 92 anos. Estava internado na Santa Casa do município, por complicações de saúde em decorrência da idade. O sepultamento aconteceu no dia seguinte, no cemitério municipal da cidade. Marimon deixa a esposa, Rosélia Rosa Marimon, cinco filhos, 13 netos e 4 bisnetos.
Natural de Seival, distrito de Bagé, estudou na ETA em Viamão e formou-se engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1952. Poucos meses depois, mudou-se para Alegrete, para atuar como funcionário concursado na Secretaria da Agricultura do Estado — nela trabalhou até a aposentadoria. Marimon tornou-se produtor rural em 1955, com a primeira plantação, uma lavoura de trigo. Mais tarde, investiu em arroz e pecuária, sempre aliando com os compromissos do serviço público.
Nos anos seguintes, revelou-se uma forte liderança sindical em Alegrete, fazendo parte da diretoria da Associação Rural quando esta foi transformada em Sindicato Rural. Iniciou carreira política na década seguinte, eleito vereador em Alegrete na legislatura 1969-1972. Cinco anos depois, ao conquistar novo mandato (1977-1981), foi presidente da Câmara de Vereadores. Exerceu a presidência do Sindicato Rural de Alegrete de 1981 a 1986 e a diretoria da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), até chegar à presidência da mais antiga federação agrícola do país.
À frente da Farsul, teve como grande missão a defesa do produtor rural diante do Plano Cruzado e das sucessivas invasões do Movimento Sem Terra (MST). O governo José Sarney chegou a acusar os pecuaristas de esconderem boi gordo na propriedade para forçar a alta no preço, enquanto as invasões eram uma ameaça constante à ordem e ao trabalho sério no campo. Para superar os problemas, Marimon estabeleceu uma política atenciosa com as bases, sempre promovendo a união da classe rural.
Também teve papel destacado na representação do agronegócio gaúcho durante a construção da Constituição Federal, promulgada em 1988. O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, lembra das vezes que dialogava com Marimon no trajeto de Porto Alegre e Brasília, e o admirava pelo ímpeto na atuação, principalmente em temas relacionados ao direito de propriedade. “Foi um homem que pegou lutas muito fortes no seu tempo, teve um papel muito importante e, assim, se notabilizou com um dos grandes líderes do agronegócio gaúcho”, afirma.
Marimon defendia a ideia de que produtor rural “não tem tamanho” e acreditava que lavoura e pecuária deveriam sempre andar juntas, parafraseando Joaquim Francisco de Assis Brasil. Também costumava dizer que era produtor rural por “tradição, vocação e devoção”. Por conta dessa identificação aberta e luta permanente pela agropecuária e pelo município de Alegrete, recebeu inúmeros reconhecimentos, entre eles a Comenda Assis Brasil (1994), do Governo do Estado, o título de Cidadão Alegretense (1984) e o título-medalha de Vereador Emérito Alegretense (2017). As centenas de mensagens de carinho, pesar e apoio encaminhadas à família e à Farsul foram as últimas homenagens.
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