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Nº 428 - ANO 33 - MAIO DE 2019
 
A qualificação dos jovens e a empregabilidade no meio rural - Nilson Finger*
 
Os jovens são propulsores para o desenvolvimento dos processos produtivos e das ferramentas de inovações e criações na cadeia do agronegócio. Dentro da fase da adolescência é que se criam talentos, e estes evoluem constantemente, direcionados a simplificar e, ao mesmo tempo, qualificar os meios de trabalho nas profissões e ocupações em empresas rurais e entidades educacionais da atividade produtiva. Investir na formação e qualificação dessa faixa etária e inserir esses indivíduos no mercado de trabalho significa transformar a realidade de muitas famílias.
A partir desta consciência socioeconômica, entendo que é de fundamental importância o trabalho de entidades de formação, como o Senar-RS, nessa área. As comunidades rurais, em geral, estão em constante busca por conhecimento e expansão de horizontes no agronegócio, para evoluírem e prosperarem. Atualmente, com recursos da informática, a tarefa de pesquisar produtos, serviços e tecnologias ficou mais fácil. É possível ter, na palma da mão, a informação para a correta tomada de decisão ou mesmo para resolver situações cotidianas na vida do campo.
Porém, de maneira alguma, essa nova realidade dispensa a formação básica que o Senar-RS exerce por meio de cursos de Formação Profissional Rural e de Promoção Social. A entidade também disponibiliza ferramentas mais amplas para que o produtor vislumbre oportunidades de melhorias na produção e de qualidade de vida no meio rural. É o caso dos programas Empreendedor Rural, Jovem Aprendiz, Turismo Rural, Leitec, Negócio Certo Rural, Agricultura de Precisão, Mulheres em Campo, SOL Rural, Boas Práticas Agropecuárias para Bovinos de Corte, Boas Práticas Agrícolas para Uva, Frutas e Hortaliças, Apicultura, Irrigação e Ovinocultura.
Chamo a atenção para o Programa Jovem Aprendiz, que iniciou como projeto piloto no município de Vacaria, em 2006, com duas turmas, no distrito de Capão da Herança, na Escola Municipal Atílio Benedetti, com o apoio imprescindível da Prefeitura desse município. De lá pra cá, já formamos no Estado cerca de 12 mil jovens em conhecimentos direcionados à fruticultura, bovinocultura de corte, silvicultura e administração rural. Nos últimos tempos, conferimos uma constância de atendimento anual de 600 jovens nos municípios em que o programa está implantado.
Temos conferido, junto às empresas contratantes/cotistas indicadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego nessas atividades, a efetivação de contratações de trabalho em torno de 30% desses jovens, que hoje são profissionais destacados nas lideranças de equipes, gerências, comandos de seções profissionais. E mais: muitos progrediram nos estudos e chegaram nas escolas agrícolas de nível médio e universidades, em cursos como agronomia, zootecnia, medicina veterinária, engenharia florestal. São técnicos que reconhecem a grande importância que o Senar-RS teve no princípio, oportunizando conhecer melhor o trabalho e o significado que a produção primária tem no contexto socioeconômico. Sem alimento na mesa, nenhum segmento se mantém.
Sabemos, portanto, a relevância de se investir no jovem, pois através dele que se adquire os indicativos do que o futuro mostrará em breve espaço de tempo. Serão os jovens que tomarão conta dos negócios e assumirão a condução e formação das riquezas dos municípios, do Estado e do País. Não há outro caminho: façamos todos os esforços para prepararmos bem esses voluntários guerreiros adolescentes que enxergam no campo o futuro da humanidade.

*Médico veterinário, supervisor do Senar-RS na Região Serra e produtor rural em Bom Jesus
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