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Nº 430 - ANO 33 - JULHO DE 2019
 
Estado deve colher 17,6 milhões de toneladas de soja
 
A colheita da soja está oficialmente aberta no Estado — e a etapa é desenvolvida em ritmo acelerado no campo. No início de abril, cerca de 52% das áreas já haviam sido colhidas, com predominância na Metade Norte, segundo a Emater/RS. A expectativa do governo do Estado é de 18,7 milhões de toneladas do grão em 2018/2019, enquanto a Farsul trabalha com números mais contidos, considerando as intempéries climáticas ocorridas nas primeiras semanas do ano. O volume deve ficar próximo a 17,6 milhões de toneladas, alta de 0,6% em relação ao ciclo anterior, com produtividade média de 3 mil quilos por hectare.
A preocupação está em termos de rentabilidade, destaca o vice-presidente da Farsul, Elmar Konrad. Os custos de produção tiveram cerca de 9% de alta em relação à safra passada, enquanto o preço do bushel apresentou queda nas últimas semanas, anulando a elevação recente do câmbio. “O ideal para o produtor atingir o equilibrio era R$ 80,00 na saca de soja, mas a situação nos indica que teremos redução na renda este ano”, avalia o dirigente, que representou a Federação na abertura oficial da colheita. em Tupanciretã, dia 29 de março.
O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, lembra ainda a incerteza gerada pela retomada das negociações entre China e Estados Unidos — principal comprador e maior concorrente da soja brasileira, respectivamente. Outra situação observada é a aparente baixa movimentação em Rio Grande na virada do mês. “Tivemos a oportunidade de visitar o porto nos últimos dias, e vimos apenas um navio carregando soja. Significa que o mercado não está fluindo como deveria”, relata. Por outro lado, Gedeão acredita que o produtor de soja fechará o ano no positivo, ainda que com aperto nas margens.
Dezenas de produtores, empresários e autoridades, entre eles o governador Eduardo Leite, participaram do ato oficial da colheita em Tupanciretã. O setor cobrou atuação do Estado, entre outros pontos, na melhoria das estradas da região, principalmente aquelas que dão acesso às propriedades rurais e estão abandonadas pelo poder público. O governador prometeu atenção ao pleito no programa RS Parcerias, lançado recentemente para estimular e analisar projetos do gênero, incluindo estradas, hidrovias, Porto de Rio Grande e aeroportos regionais. “O Estado tem de ser Estado onde o privado não alcança, porque não se sustenta como negócio. É ali que temos de colocar os recursos, para induzir o crescimento e estimular o desenvolvimento em todas as regiões”, afirmou Leite.

2,4-D e vazio sanitário em foco
O problema da deriva na aplicação do herbicida 2,4-D e a necessidade de oficializar o vazio sanitário da soja no Estado foram assuntos na abertura da colheita. Konrad disse que é preciso encontrar soluções no sentido de conscientizar os produtores quanto ao uso do 2,4-D e evitar prejuízos em culturas paralelas à soja. O agroquímico inclusive é usado na “capina química” das lavouras, a fim de eliminar os esporos de ferrugem asiática antes da safra. O dirigente finalizou o discurso cobrando mais investimentos, organização e parcerias para alavancar a pesquisa agrícola estadual.

Safra de milho entra na reta final
O clima seco, com muito sol e baixa umidade relativa do ar, tem favorecido o avanço da maturação e da colheita das lavouras de milho no Estado — que alcançou 70% da área no início de abril, informa a Emater/RS. A produtividade e qualidade estão em bons níveis em todas as regiões. Parte das áreas teve a etapa interrompida para a colheita da soja, mas a ação não tem gerado problemas, ainda segundo a empresa de assistência e extensão rural.
Já as lavouras de safrinha apresentam bom desenvolvimento das plantas, a maioria entrando em floração e formação das espigas. “Entretanto, já necessitam de chuva para evitar problemas de formação de espiga e de grãos”, mostra o informativo.
Rendimento no arroz surpreende
Outra cultura em colheita avançada é a do arroz, com 64% das áreas finalizadas (629,2 mil hectares), conforme boletim do Irga no início de abril. A produção é de 4,9 milhões de toneladas até o momento, com produtividade média de 7,8 mil quilos por hectare.
O rendimento surpreende, sobretudo diante da quebra de 464 mil toneladas pelas enxurradas de janeiro, segundo levantamento do Sistema Farsul junto aos sindicatos rurais. As regiões com os trabalhos mais adiantados no período eram a Planície Costeira e a Fronteira-Oeste.
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