Jornal em Formato HTML
 
Nº 430 - ANO 33 - JULHO DE 2019
 
Mapeamento de startups aponta para oportunidades de crescimento
 
O Rio Grande do Sul apresenta alto potencial de desenvolvimento de startups para o agronegócio, mas ainda passa por uma fase básica de amadurecimento do ecossistema de inovação. Essa é a conclusão preliminar do mapeamento realizado pelo Sistema CNA no Estado, um dos cinco primeiros a receber a ação, entre os dias 18 e 22 de março, com apoio da consultoria finlandesa Startup Commons. Foram entrevistadas empresas, aceleradoras, parques tecnológicos, consultorias, entidades, universidades e representantes do governo estadual.
Ainda que o relatório final deva ficar pronto apenas em junho, o presidente da Startup Commons, Óscar Ramírez, compartilhou algumas impressões da visita com representantes de Sistema Farsul, Sebrae/RS e Instituto CNA ao final do processo. Segundo ele, o Estado carece de uma interface de colaboração entre os agentes de inovação — existem muitos ambientes, com iniciativas interessantes para alavancar o desenvolvimento do agronegócio, mas que perdem por não trabalhar em conjunto. Ramírez entende ainda que falta alguém para “orquestrar o movimento” e sugeriu o nome do Sistema Farsul.
Uma das ações prioritárias para fortalecer esse ecossistema, de acordo com Ramírez, é promover uma ampla coleta de dados — tanto no campo quanto nas startups — a partir de metodologia bem definida. Ou seja, o Sistema Farsul poderia identificar as principais necessidades e desafios do setor que podem ser solucionados com novos produtos e serviços, enquanto o Sebrae/RS ficaria responsável por levantar empresas, características e produtos existentes. Outras informações úteis são programas de fomento, suporte e financiamento. O ideal seria que todas essas informações então fossem disponibilizadas para o ecossistema em uma plataforma digital, simples, aberta e transparente.
O chefe da Divisão de Estudos Avançados e Inovação do Senar-RS, Antônio da Luz, adianta que a tarefa é possível com o apoio da rede de 10 supervisores regionais e 360 colaboradores da entidade, que consiste em uma “excelente fonte de dados” pelo contato regular com o produtor e o conhecimento técnico qualificado. O economista pediu indicadores e outros conteúdos à consultoria finlandesa para começar o trabalho.
Ramírez ainda destacou a necessidade de avançar na promoção da educação empreendedora em todos os níveis de ensino, na facilitação de crédito em todas as etapas de desenvolvimento desse tipo de negócio e na conexão com os clientes em potencial, nesse caso, os produtores rurais. Esta questão já é trabalhada pelo Sistema Farsul e o Sebrae/RS nas principais feiras do agronegócio gaúcho, mas pode ser melhor organizada a partir da coleta de informações.
Ao longo da semana, o mapeamento passou pelos parques tecnológicos da Unisinos (Tecnosinos) e da PUCRS (Tecnopuc) e conversou com representantes de Farsul, Senar-RS, Fiergs, Associação Gaúcha de Startups e o secretário estadual da Inovação, Ciência e Tecnologia e pró-reitor de pesquisa da UFRGS, Luís da Cunha Lamb, entre outras empresas e consultorias. O grupo ainda deve abordar, por meio de videoconferência, instituições como a agência pública de fomento Finep e a UFSM.
Na abertura do evento, o secretário-executivo do Instituto CNA, André Sanches, disse que a migração é “da cidade para o campo” no universo das empresas de inovação. “A participação da agropecuária na economia brasileira tem chamado a atenção das startups”, destaca. O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, disse que o Rio Grande do Sul tem a tradição de estar na vanguarda do setor, e não pode deixar de acompanhar o ritmo das inovações para o meio rural. O superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli, relatou que o interesse dos participantes dos cursos da entidade é crescente em relação a soluções tecnológicas. O superintendente do Sebrae/RS, André Godoy, acredita no sucesso da ação para o surgimento de negócios promissores.
voltar