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Nº 430 - ANO 33 - JULHO DE 2019
 
Senar-RS atende centenas de produtores na Expodireto e Expoagro
 
Centenas de visitantes da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, e da Expoagro Afubra, de Rio Pardo, participaram de palestras técnicas diárias do Senar-RS sobre como reduzir a deriva na aplicação de agroquímicos na lavoura. A ação, considerada um sucesso pelos organizadores, chamou a atenção de quem passava em frente aos estandes das feiras com uma exposição dinâmica, com direito a simulador de deriva e boneco em 2D para mostrar todos os equipamentos necessários à aplicação.
Produtor de Pejuçara, José Jorge Tassotti parou no espaço do Senar-RS para acompanhar a ação na Expodireto. Ficou interessado principalmente na explicação dos instrutores sobre o tamanho da gota e o impacto que esse fator tem no risco de o produto não atingir o alvo. “É bom porque a gente fica sabendo melhor como funciona. Sempre tem algum detalhe a mais para aprender”, conta ele, que planta soja e trigo e também faz parte do projeto de integração entre lavoura e pecuária do Juntos para Competir (Farsul, Senar-RS e Sebrae/RS) na região.
O tamanho da gota é definido pelo bico utilizado na máquina agrícola e a pressão, e esse aspecto guarda relação direta com o risco de deriva, explica o instrutor José Sergio Witt, a partir de dados do Conselho Britânico de Produção de Culturas (BCPC). Quando as gotas são finas, a quantidade de produto aplicado por centímetro cúbico (cm³) é mais do que ideal, porém o potencial de risco da deriva chega a 57%. O simulador deixava claro porque evitar esse tipo de ação — mais da metade da água “pulverizada” acabava saindo pela lateral do equipamento com a ação do vento.
Por outro lado, chegar no potencial zero de deriva é viável com uma gota bem mais grossa, mas esta também tende a comprometer a eficácia do produto aplicado. A quantidade de gotas por área nessa situação geralmente fica abaixo daquela que os fabricantes de agroquímicos costumam recomendar, entre 20 e 40 gotas/cm³, dependendo da velocidade de pulverização empregada.
O jeito é equilibrar essas variáveis para uma aplicação mais segura — é possível chegar a um índice reduzido de deriva com eficiência, garante Witt. O instrutor destaca ainda a importância de esperar por condições ideais de clima (em linhas gerais, ventos de no máximo 12 km/h, umidade acima de 50% e temperatura entre 15ºC e 30ºC, mas varia conforme o produto), além de fazer a manutenção regular dos equipamentos e investir nos materiais certos.
A palestra também alertou para o uso de equipamentos de proteção individual, exigência da legislação trabalhista que traz mais segurança. Máscara que não deixa molhar, luvas de borracha resistentes a solventes, boné, viseira, avental, jaleco e calça específicos para a atividade são indispensáveis. Em cada palestra, uma pessoa da plateia ajudava a retirar os equipamentos de um boneco na ordem indicada, de forma a evitar o contato do mesmo com resíduos de químicos.
A ação fez parte do programa Deriva Zero, do Senar-RS, lançado em julho do ano passado e que já atendeu 432 produtores com treinamentos no interior do Estado. As consultorias alertam para os casos de perdas de produção no Rio Grande do Sul, principalmente nas culturas da uva, maçã e oliva, por conta do contato com agroquímicos usados nas lavouras vizinhas. Para o superintendente da entidade, Eduardo Condorelli, a melhor maneira de conter o problema é por meio da conscientização no campo: “O primeiro prejudicado pela deriva é o próprio dono da lavoura, que aplica uma subdose e colhe um resultado menor do que deveria”. A entidade retomará os treinamentos pelo interior nos próximos meses.

Consultorias técnicas, tecnologia
e pastoreio canino foram atrações
Além das palestras diárias sobre deriva, o público da Expodireto contou com consultorias individuais do Senar-RS sobre contribuição previdenciária rural (Funrural) e Cadastro de Atividade Empresarial Pessoa Física (CAEPF). A principal novidade do Funrural em 2019 é a possibilidade de recolhimento sobre a folha de pagamento, em vez da comercialização bruta da produção. Já o cadastro é uma exigência da Receita Federal desde o início do ano, em substituição à matrícula CEI (Cadastro Específico do INSS). É também a primeira etapa de implantação do eSocial no campo.
O estande do Senar-RS em Não-Me-Toque também apresentou o seminário “Agricultura 4.0 e os impactos da digitalização no campo”, transmitido em parceria com o Canal Rural. Os palestrantes foram o coordenador da Divisão de Inovação e Estudos Avançados do Senar-RS, Marcelo Camardelli; o diretor de vendas da AGCO no Brasil, Rodrigo Junqueira; o agrônomo e jornalista Donário de Almeida; e o diretor da startup Silo Verde, Manolo Machado. Foram apontadas tendências como uso e análise de dados no setor, digitalização de informações, automação de máquinas e serviços, mais tecnologia embarcada, conectividade e integração de equipamentos. Camardelli apresentou a visão do Senar-RS sobre a área de inovação e as ações em curso.
Na Expoagro Afubra, mais uma atração: a oficina de adestramento de cães para pastoreio de ovelhas encantou crianças e adultos. O treinamento, que envolve animais da raça Border Collie, consiste em ensinar comandos que mostram ao animal como conduzir o rebanho de maneira precisa. A técnica também colabora com o bem-estar do cão, apto para a lida do campo, destaca o instrutor Sami Mahfuz Neto. O curso é oferecido regularmente pelo Senar-RS no Estado.
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