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Nº 433 - ANO 33 - OUTUBRO DE 2019
 
Preservação do agronegócio
 
O agronegócio brasileiro é o setor que mais está sofrendo com as acusações internas e externas quanto à política ambiental e seus supostos reflexos nos índices de queimadas na Amazônia. É prejudicado mesmo que ele próprio, por meio da representação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), venha defendendo a necessidade de investigar o desmatamento ilegal na região, julgando e punindo exemplarmente a desconformidade com a legislação.
Afinal, cabe sempre lembrar que o produtor é o principal parceiro da preservação do meio ambiente, pois o respeita e dele depende para obter resultado. Há algum sentido em destruir aquilo que lhe garante o sustento? Soma-se ainda o fato de o Brasil contar com o Código Florestal mais conservacionista do mundo — construído, inclusive, a partir do apoio público do setor, entre 2009 e 2012 — e que avança constantemente na aplicabilidade desde então, mesmo que a ritmo mais lento do que o esperado, por ineficiências do próprio Estado.
Com vistas ao capital político, governantes da Europa, em especial o presidente da França, Emmanuel Macron, acenam ao eleitorado de agricultores locais, entre outros setores da sociedade, com imagens de incêndios florestais e dados alarmantes — não fosse a manipulação da estatística para refletir determinados períodos contra outros, resultando em modelos numéricos mais desfavoráveis do que representa, de fato, o problema. Pelo apelo emocional, não demorou para que a repercussão tomasse proporções, cercando de (e ampliando) críticas ao histórico acordo entre Mercosul e União Europeia.
Essa convergência de fatores é que reforça a narrativa de que grande parte das denúncias partem de interesses comerciais, não de uma preocupação realista quanto aos destinos da biodiversidade e aos impactos da redução da Amazônia sobre a vida no planeta. Não é novidade para ninguém que a agricultura europeia recebe volumosos subsídios, enquanto a brasileira compete em todo o mundo mesmo diante de deficiências substanciais nas condições de infraestrutura e logística. Assim como determinados países não constituem exemplos ambientais em seus próprios territórios.
O maior prejuízo para o agronegócio está na imagem transmitida para o mundo pelo Brasil, algo diretamente relacionado à abertura de novos mercados, pelo lado positivo, e à imposição de barreiras comerciais veladas, no pior dos cenários. Considerando que a agropecuária brasileira, nas décadas recentes, aumentou exponencialmente a produtividade das áreas, torna-se evidente a necessidade de estabelecer diálogos transparentes sobre questões sensíveis, de modo a elevar os mercados disponíveis — algo que reflete em mais atratividade empresarial, empregos, arrecadação pública, investimentos e desenvolvimento econômico e social.
A defesa do agronegócio foi marcante nesta edição de Expointer, a 42ª desde a internacionalização do evento. Prestigiada por autoridades do alto escalão político e mais de 416 mil pessoas, a feira reanima o campo na difícil missão de convencer a sociedade sobre a importância dessa vocação para a vida dos brasileiros — e, por que não, dos povos estrangeiros que enxergam a nossa agropecuária como garantia de segurança alimentar hoje e para os próximos anos.
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