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Nº 433 - ANO 33 - OUTUBRO DE 2019
 
Drones para o controle biológico de pragas na agricultura 4.0 - Cristiano Gotuzzo*
 
Com o avanço das tecnologias para produção de soja e milho, desde a década de 1970, houve aumento significativo no tamanho das lavouras, fazendo com que a cada safra aumentasse a população de pragas como, por exemplo, lagartas e percevejos.
O controle biológico de pragas com o uso de inimigos naturais é conhecido há mais de 50 anos. Porém, existia uma dificuldade grande para promover a aplicação em larga escala. Com o surgimento das aeronaves não tripuladas, também conhecidas por drones, a viabilidade surgiu para combater melhor as pragas em lavouras comerciais.
Como aliadas na lavoura, o produtor pode contar com a vespa Trichogramma pretiosum e a Telenomus podisi. Ao parasitarem os ovos dos insetos que prejudicam a produção, elas acabam fazendo o controle das populações de pragas sem a necessidade do uso de produtos químicos.
Funciona assim: as cápsulas dos ovos de T. pretiosum devem ser depositadas nas lavouras assim que aparecerem as primeiras lagartas. A partir da dispersão dos ovos da vespa, os mesmos eclodem e se inicia o parasitismo nos ovos de insetos que prejudicam a lavoura. Ao invés de eclodirem lagartas, eclodem novas vespas, que continuarão realizando o parasitismo. Já o T. podisi, deve iniciar sua dispersão no início do florescimento, e a mesma irá parasitar os ovos de percevejos adultos, controlando a população dessa praga, assim como ocorre com as lagartas.
Foi realizado estudo na Fundação MS, onde compararam o controle convencional com o controle biológico em duas safras de soja. Para o controle de lagartas, na primeira safra, ocorreu uma dispersão de T. pretiosum, contra três aplicações de inseticida. Na safra seguinte, houve uma dispersão de biológico contra cinco aplicações de controle químico. Da mesma forma, para o controle de percevejos: na primeira safra, uma dispersão de T. podisi contra duas pulverizações de inseticida; e na segunda safra, duas dispersões de biológico contra três aplicações de controle químico. Não houve diferença na produtividade das lavouras de soja.
No Rio Grande do Sul, desde a última safra, estão sendo realizadas aplicações de inimigos naturais em áreas comerciais de soja e milho com o uso de drones para o controle de lagartas sem a utilização de inseticidas. Essa é mais uma utilidade para as aeronaves não tripuladas na agricultura 4.0.

*Engenheiro agrônomo - Cooplib
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