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Nº 433 - ANO 33 - OUTUBRO DE 2019
 
Programa valoriza a produção gaúcha e conecta startups do agro
 
Em dois anos, a fazenda Don Pastor, de Jaguarão, alavancou a produção de carne bovina de 84 quilos para 148 quilos por hectare, alta de 76%. Em Candiota, a vinícola Batalha conseguiu aumentar em 30% o faturamento em período similar. Já o Sítio Pauwels, de Lagoa dos Três Cantos, reformulou todo o processo de gestão para produzir hoje 800 litros de leite por dia, com margens de até 70%. Esses três casos no interior do Rio Grande do Sul apresentam fato relevante em comum: transformaram os negócios com base no apoio técnico do programa Juntos para Competir, de Farsul, Senar-RS e Sebrae/RS.
A sensibilização por meio de exemplos reais de produtores foi uma das ações do Juntos para Competir ao longo dos nove dias de Expointer, no Parque Assis Brasil, em Esteio. Mas a realidade é que o espaço foi bastante democrático, buscando o interesse tanto do produtor rural gaúcho quanto do público urbano. “Tivemos alta procura em todos os locais”, conta o assessor da superintendência do Senar-RS e gestor do programa, Antônio José Aguinaga, destacando os mais de 800 produtores atendidos que estiveram na feira por meio de missões técnicas. “Os produtores buscaram novas tecnologias e sistemas de produção, enquanto os consumidores participaram de ações de promoção do consumo e de valorização dos produtos gaúchos.”
Com a proposta de valorizar três produtos ícones da região, as entidades espalharam atrações no Pavilhão Internacional. Em uma delas, os visitantes da feira eram convidados para oficinas de harmonização de queijos, vinhos e doce de leite, comuns em roteiros a regiões vinícolas. A ideia central era mostrar que não é preciso ir longe para apreciar produtos de alta qualidade — convencendo pessoas como a enfermeira Aline Potlasnisky, de passagem pela Expointer. “O contraste do amargo com o doce foi maravilhoso e me surpreendeu”, disse ao final de uma das três edições diárias do Espaço Gastronômico.
A proposta de apresentar o histórico do produto “do campo à mesa” contou com duas iniciativas diferentes. Primeiro, a tradicional Vitrine da Carne Gaúcha, já na 11ª edição como uma das atrações mais frequentadas da Expointer, apresentava a desossa de carcaças de ovinos, bovinos e suínos e o preparo de receitas, lado a lado, em cabine. Mais para o meio do estande, foram expostos quatro cortes de carne bovina (assado de tira, shoulder, t-bone e entrecot), dois tipos de queijos (serrano e colonial) e quatro tipos de vinhos (lorena, merlot, tannat e espumante brut). O público era estimulado a consultar QR codes (espécie de códigos de barras com leitura por celulares) para obter mais informações sobre a origem dos produtos, simulando uma tendência observada para os supermercados.

Espaço apresenta inovações
O Juntos para Competir também convidou 19 startups para apresentar tecnologias voltadas ao agronegócio, assim como na edição anterior da Expointer. Entre as estreantes, estava a Ovino Pro, que trabalha com gestão de dados para reduzir a mortalidade e melhorar a eficiência produtiva no segmento. “É um aplicativo para smartphones que monitora aspectos como ganho de peso e escore corporal a partir da entrada de informações”, conta o fundador do negócio, Adriano Freitas, formado em tecnologia da informação e filho de produtor rural de Butiá. Desde abril, a empresa roda projeto piloto, focado na parição. A versão definitiva deve ser lançada ainda este ano, incluindo funcionalidades como ranking de matrizes, notificação de tarefas, identificação dos animais e consulta de dados por meio de câmera fotográfica, entre outras.
As novas exigências de rastreabilidade de frutas e hortaliças e registro de boas práticas, além da possibilidade de agregação de valor aos produtos é o que impulsiona a Agrocloud, do produtor de Flores da Cunha e consultor técnico, Mateus Chiarani. A plataforma integra cadernos de campo — onde o produtor anota incidência de pragas e doenças, histórico fitossanitário e gastos financeiros — com a etiquetagem de produtos, incluindo QR codes que oferecem ao consumidor mais informações sobre a origem da produção. “Noto que existe uma grande dúvida no ar (sobre a legislação), também estamos aqui tranquilizando que há como fazer”, conta Chiarani.
As conexões na Expointer geraram resultados positivos para agricultores e empresas. Especializada na prestação de serviço de aplicação de defensivos químicos e biológicos por meio de drones, a startup Arpac fechou negócio para pulverizar 52 hectares de arroz em sete propriedades na região de Santa Cruz do Sul. O interesse surgiu pela inviabilidade de os produtores executarem aviação agrícola na área, em razão da proximidade com o perímetro urbano. “Esse é um perfil de produtor a que podemos nos aproximar bastante nos próximos anos”, destaca o diretor da empresa, Eduardo Guerl.
De acordo com o chefe da Divisão de Estudos Avançados e Inovação do Senar-RS, Antônio da Luz, trabalhar a inovação no agronegócio é uma meta clara das entidades. “Estamos vendo um potencial empreendedor imenso. Muitas startups estão surgindo na áreas da indústria, da logística e de mercado. Queremos ver esse mesmo movimento no meio rural”, afirma. As demais empresas no espaço foram Progat, Digirodeo, Falker, Alpagro, Elysios, Tryber, Prediza, Multibolsas, Acerto Fácil, Sky Drones, Essent Agro, Central do Boi, Equiper Fresh, Partamon, Raks e Eirene Solutions. Vinte e quatro startups ainda participaram do desafio Like a Farmer, do Sebrae/RS, vencida pela startup Jetbov, de Joinville (SC). Ela apresentou uma plataforma inovadora para controle do gado de corte e gestão da fazenda.
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