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Nº 433 - ANO 33 - OUTUBRO DE 2019
 
Farm trabalha em certificação de boas práticas agropecuárias
 
A Federação de Associações Rurais do Mercosul (Farm) instaurou discussão técnica para avaliar a possibilidade de criação de uma certificação de boas práticas agropecuárias para os países do bloco econômico sul-americano. A sugestão foi acatada na reunião mais recente do grupo, realizada na Expointer — tendo como anfitrião o presidente da Farsul, Gedeão Pereira, e a presença do presidente da CNA, João Martins.
As entidades acreditam que as questões das boas práticas estão ganhando força no mundo como novas barreiras comerciais. “Independentemente da origem (dos produtos), precisamos destacar o Mercosul como uma região que produz alimentos saudáveis e sustentáveis”, disse o vice-presidente da Sociedade Rural Argentina (SRA), Carlos Moret, que trouxe a questão para o debate. A ideia inicial é desenvolver o tema em comissão técnica formada pelos membros do Farm e instituições de pesquisa.
As entidades refletiram sobre a pressão internacional relativa a medidas de conservação da Amazônia. Gedeão Pereira afirmou ao grupo que as críticas mascaram interesses comerciais dos europeus, que temem a concorrência dos produtos agropecuários brasileiros com a produção interna subsidiada a partir do acordo entre Mercosul e União Europeia. Martín Rapetti, conselheiro das Confederações Rurais Argentinas (CRA) e representante do presidente da Farm, Dardo Chiesa, destacou que os ataques ao Brasil podem afetar o bloco como um todo. A Farm respaldou, em nota, a soberania brasileira sobre a região, como proposto pelo presidente da Associação Rural do Uruguai (ARU), Gabriel Capurro.
João Martins afirmou no encontro que a América do Sul precisa trabalhar com mais unidade para conquistar mercados de forma mais efetiva, principalmente na Ásia. O presidente da CNA deu como exemplo a abertura chinesa ao mercado de lácteos, que poderia ser melhor explorada com apoio da Argentina, considerando a forte concorrência neozelandesa. “Temos que construir um novo conceito de Mercosul, a partir de uma relação mais franca e transparente. Existe espaço para todos nós”, apontou. Membros de associações uruguaias, paraguaias e argentinas disseram compartilhar da visão. “Trinta por cento do alimento do mundo têm origem na América do Sul. É uma posição realmente forte”, acrescentou o diretor da Associação Rural do Paraguai (ARP) Darío Baumgarten.
A mudança mais importante, nesse sentido, é a abertura econômica dos países, de modo a avançar no conceito de livre circulação de mercadorias e serviços. Segundo Rapetti, o Mercosul “arrancou bem”, mas hoje está atrasado por conta de influências ideológicas. O maior desafio estaria na volatilidade política e econômica da região. De momento, há especial preocupação com as eleições argentinas, em que a disputa presidencial é liderada pela chapa centro-esquerdista de Alberto Fernández e Cristina Kirchner.
A reunião foi finalizada por discussões sanitárias, incluindo o programa governamental brasileiro de retirada da vacina contra a febre aftosa até 2021. Também participaram da reunião o presidente da Federação Rural do Uruguai (FRU), Julio Armand Ugón; a superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra; o superintendente-técnico da CNA, Bruno Lucchi; o diretor-geral do Senar, Daniel Carrara; e o assessor técnico da Farsul Luiz Alberto Pitta Pinheiro, entre outros membros das associações.
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