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Nº 428 - ANO 33 - MAIO DE 2019
 
Diretoria da Farsul toma posse em cerimônia prestigiada
 
Eleita para o triênio 2019-2021, a diretoria da Farsul tomou posse em uma cerimônia marcada por discursos de transformação política no país e pela grande presença de autoridades — entre elas o presidente da CNA, João Martins, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o governador do Estado, Eduardo Leite. Diante do público que lotou o salão da sede da entidade, em Porto Alegre, na noite de 14 de abril, os 31 diretores que compõem a 41ª gestão da federação de agricultura mais antiga do Brasil firmaram o compromisso de defender os interesses do campo. “Estamos a serviço do crescimento do agronegócio brasileiro e gaúcho. Temos muito orgulho de estarmos nessa diretoria e, acima de tudo, de sermos produtores rurais”, declarou em discurso o presidente eleito, Gedeão Pereira.
Também estiveram presentes o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Alceu Moreira; os senadores Luis Carlos Heinze e Lasier Martins; o deputado federal Jerônimo Göergen; o secretário da Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Fernando Schwanke; o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Luís Augusto Lara; o prefeito da Capital, Nelson Marchezan Júnior; o presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva; o presidente da Federarroz, Henrique Dornelles; os presidentes de federações empresariais Luiz Carlos Bohn (Fecomércio), Vitor Augusto Koch (FCDL) e Simone Leite (Federasul); o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS) Eduardo Delgado; os presidentes de federações estaduais de agricultura Maurício Saito (Famasul) e José Zeferino Pedrozo (Faesc); entre outras autoridades, representantes de instituições financeiras, sindicatos e produtores rurais gaúchos.
Em outubro do ano passado, 118 sindicatos rurais conduziram a única chapa que se apresentou ao comando da entidade para este e os próximos dois anos. O número expressivo (85% dos 138 sindicatos aptos a votar) demonstra a confiança e o apoio da gestão, que tem como algumas das principais bandeiras a reestruturação das comissões temáticas da Farsul, a aproximação com ambientes de inovação e tecnologia e a união do setor produtivo.
O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, discursou por cerca de 30 minutos no evento. Contou sobre o primeiro contato com a Federação, o histórico de lutas na entidade e falou sobre as dificuldades que hoje afligem o produtor rural — questões ambientais, problemas no escoamento da produção, impostos excessivos, crescente endividamento e o desgaste da política agrícola atual, com milhares de agricultores sem acesso a crédito (veja trechos ao lado). Problemas que já estão sendo trabalhados pela nova gestão.
Ao conferir posse aos diretores, João Martins destacou a relação próxima da CNA com a Federação gaúcha. O dirigente disse que “espelha” a gestão em Brasília com aquela empregada há vários anos na entidade, desde os tempos do ex-presidente Carlos Sperotto, e ressaltou o convite, no ano passado, para que Gedeão assumisse a diretoria de Relações Internacionais. Martins centrou o discurso na expectativa de mudanças profundas no país, afirmando ser este um momento de “união de forças” para que as reformas deem certo. “Temos que acreditar em um Brasil melhor”, disse.
Ricardo Salles teve fala intensa, que arrancou aplausos de pé do público ao tocar numa das áreas mais sensíveis do agronegócio: o direito de propriedade. O ministro rechaçou novas demarcações de terras indígenas e quilombolas e disse que o governo trabalha para defender o setor de ameaças como invasões do Movimento Sem Terra (MST) e fiscais que “perseguem o produtor em questões trabalhistas”, por meio de leis “draconianas”. Também garantiu estar ciente das dificuldades do produtor na aplicação da legislação ambiental diante das particularidades do Bioma Pampa e que o agronegócio sofre ataques regulares por conta de guerras comerciais “travestidas de proteção do meio ambiente”. “O meio ambiente tem na agricultura o seu principal parceiro. É o produtor rural que cuida do meio ambiente no Brasil”, afirmou Salles.
O governador Eduardo Leite elogiou a capacidade de geração de riqueza do agronegócio gaúcho, que ano após ano cresce em produtividade mais do que em área plantada. A seguir, falou nos planos de alavancar o desenvolvimento e a competitividade do Estado, por meio de parcerias público-privadas em infraestrutura e logística, menos burocracia em licenciamentos e tomada de empréstimos após a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal da União. Quanto à carga tributária, Leite mais uma vez atrelou a redução de alíquotas de impostos como o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) ao desinchaço da máquina pública e, principalmente, à reelaboração da Previdência. “O déficit da previdência é metade da receita líquida do ICMS”, destacou ele, prometendo trazer a carga tributária “para dentro do razoável” no futuro.

Com a palavra, Gedeão Pereira
“Produtor rural com muito orgulho, nasci no campo, no município de Bagé. Antes, a família estava no Uruguai, e já éramos produtores rurais do outro lado da fronteira. Mas um dia a vida quis, e eu não pedi, que eu fosse presidente da Associação e Sindicato Rural.”

“Quando cheguei aqui, como presidente do sindicato, entrei meio acanhado dentro da Federação da Agricultura. Era, para mim, algo realmente muito grandioso, que talvez não merecesse a minha presença.”

“Aconteceu comigo algo extremamente pitoresco. Terminado o mandato de Hugo Paz, surgiram duas chapas. Qual o fato pitoresco? Eu era oposição a Carlos Sperotto, estava na chapa de Régis Lopes Salles. Ele nos ganhou muito apertado. E foi sorte para nós e para o Rio Grande.”

“Na década de 1990, entrei para a Comissão Fundiária da Farsul. Digladiamos contra MST, contra as vistorias do Incra — e tivemos sucesso. Conseguimos estancar neste Estado o processo estúpido da reforma agrária, que felizmente acabou neste país.”
“O Brasil tem um dos maiores agronegócios do mundo. Estamos fartamente alimentando a nossa população — basta entrar em qualquer supermercado para ver — e ainda estamos chegando a mais ou menos 200 países mundo afora. Temos que abrir cada vez mais mercados.”

“A conta da dona de casa, de receita e despesa, serve em qualquer lugar. Temos que fazer as reformas da Previdência e tributária. Precisamos diminuir o tamanho do Estado, em suas três esferas. Tenhamos a coragem de fazer esses enfrentamentos para chegarmos ao Brasil que almejamos.”

“O agronegócio precisará de um tratamento diferenciado até o dia que o nosso país se tornar competitivo, com investimento em infraestrutura e logística, redução de carga tributária — para competir, olhem só, até com o Paraguai, que está levando as nossas empresas para produzir lá e vender aqui.”

“Ainda temos uma discussão a respeito da Lei Kandir. Os estados e municípios vão buscar (a revogação), mas eles que olhem bem para o passado. Impostos não se exportam. Se começarmos a exportar, vamos perder a competitividade do agronegócio.”

“Secas acontecem, excesso de chuva também, e o que ocorre quando o produtor, um excelente pagador de contas, perde a safra? Ele perde o crédito, parcela com o banco, perde o seu negócio. Precisamos trabalhar um novo modelo de política agrícola, baseada em seguro rural. Com um seguro eficiente, teremos taxas de juros mais baixas que a de hoje e faremos o mercado financeiro competir.”

“Pela primeira vez, o Senar-RS está aqui, sendo empossado com a diretoria da Farsul. Tudo isso é pela relevância que ele detém hoje dentro do nosso sistema. Foram 154 mil alunos no ano passado. Não temos a menor dúvida de que é uma das maiores escolas da terra.”

“A mensagem que podemos dar a todos é que viemos aqui para servi-los, e não para sermos servidos. Estamos a serviço do crescimento do agronegócio brasileiro e gaúcho. Todos nós temos muito orgulho de estarmos na diretoria da Farsul e, acima de tudo, orgulho de sermos produtores rurais.”
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