Matéria de Capa
 
Nº 409 - ANO 31 - OUTUBRO DE 2017
 
Soluções técnicas e aprendizado marcam 40ª edição internacional da Expointer
 
Além de vitrine do agronegócio gaúcho, encontro da cidade com o campo e oportunidade para troca de conhecimentos e bons negócios em pecuária e maquinário agrícola, a 40ª Expointer também foi o momento de encaminhar soluções técnicas para problemas que afligem o campo, avaliou a Farsul ao final dos nove dias de feira, em Esteio.
O exemplo mais claro foi a solução para incoerências no Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a soja, publicado em julho, que excluía as melhores épocas de semeadura do grão em diversos municípios, notadamente na metade Sul do Estado. Ela foi conquistada em meio à feira, seis dias após reunião da Federação com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e técnicos da Embrapa, em 26 de agosto. “Ação rápida para solução rápida. Política de resultado foi o que se desenvolveu”, afirma o presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto, lembrando o esforço da entidade em trabalhar os temas relativos ao meio rural de forma mais técnica. As novas datas, que atendem às sugestões da Farsul, foram publicadas por meio da Portaria 197 do Ministério da Agricultura, no Diário Oficial da União de 1º de setembro.
O impasse no plantio da soja, no entanto, não foi a única discussão que teve respostas ao produtor a partir da atuação das entidades representativas. A cadeia gaúcha do leite cobrou das autoridades medidas de contenção às importações do produto em pó do Uruguai, sobretudo considerando as suspeitas de triangulação de exportações no país vizinho, como forma de acessar o mercado brasileiro de forma mais competitiva. Maggi prometeu negociar cotas e tentar retirar o leite da pauta do Mercosul, enquanto o governador José Ivo Sartori assinou decreto que retira estímulos à entrada do produto estrangeiro em território gaúcho.
As boas notícias também se estendem à pecuária de corte. Na reunião da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da CNA, o setor concluiu que a única forma de o Brasil atingir o mercado internacional gourmet é investir em cruzamentos que confiram à carne mais maciez. “A solução encontrada para criar qualidade é levar as raças britânicas para a grande vacada brasileira, a nelore, fazer o cruzamento e obter o animal meio-sangue”, conta o vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, destacando que o Rio Grande do Sul é o único estado do país que apresenta clima adequado para a criação de raças como Angus, Hereford e Devon, o que indica potencial de mercado aos gaúchos. Atualmente, exportamos para cerca de 170 países, mas o produto apresenta dificuldades em entrar naqueles mais exigentes e no formato in natura.
Além disso, o encontro da Federação das Associações Rurais do Mercosul (Farm) também deu início a negociações para elevar a cota de exportação de carne bovina do Mercosul à União Europeia. A demanda será levada a Brasília, no mês de outubro.
Mas o principal assunto do encontro da Farm foi, novamente, o plano brasileiro de erradicação da febre aftosa, que prevê a retirada total da vacinação em território nacional até 2021. Na Expointer, o governo federal detalhou a proposta às entidades rurais dos países parceiros do bloco econômico, favorecendo avaliação mais técnica e aprofundada do grupo em relação à questão. “Há grande preocupação com o prazo de apenas quatro anos, e os outros países não falam em retirada da vacina a curto prazo”, relata Pereira. Sperotto afirmou, em entrevista, que a entidade se sente mais confortável em apresentar a posição de cautela ao notar que ela é compartilhada com nações como Argentina, Uruguai e Paraguai.
Internamente, houve reunião com o presidente da CNA, João Martins, e a diretoria das federações da agricultura dos três estados do Sul. O principal assunto foram os encaminhamentos ao programa de refinanciamento de dívidas do Funrural, por meio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Além disso, a Confederação promoveu o seminário Interagro na feira, ao lado de Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), Sistema Fecomércio e Sistema Farsul, para estimular a busca de mercados internacionais pelo produtor brasileiro. Outro anúncio de destaque foi a criação de delegacias especializadas em crimes rurais, integradas ao Departamento de Política do Interior (DPI), pelo governo estadual, atendendo pleito da Farsul e sindicatos rurais associados.

Vendas
A movimentação financeira da pecuária na 40ª Expointer foi de R$ 10,6 milhões, cerca de 12% menos que na edição passada - refletindo o momento ainda recente de recuperação do setor da carne bovina, segundo o presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Farsul, Francisco Schardong. Destaque para o resultado da 13ª edição da Feira de Novilhas e Ventres Selecionados da Farsul, que teve pista limpa e foi responsável por quase a metade do faturamento de rústicos em Esteio. A oferta de 514 exemplares, de alta qualidade, entre novilhas, vaquilhonas prenhas e terneiras, foi negociada em pouco mais de uma hora, movimentando R$ 743,1 mil. “Mostra que a qualidade dos animais foi valorizada pelos compradores, apesar do momento econômico”, avaliou o dirigente.
O remate ainda traz boas perspectivas para as exposições e feiras de primavera, que acontecem no interior do Estado a partir do mês de setembro. Dezoito municípios lançaram seus eventos agropecuários na Casa da Farsul. As comitivas, formadas por presidentes e representantes de sindicatos rurais, produtores e corte dos eventos, apresentaram as principais atrações, que envolvem remates, julgamentos, palestras técnicas e shows musicais, entre outras. Todas elas receberam uma lembrança alusiva aos 90 anos da Farsul após os discursos.
Já os encaminhamentos de negócios no setor de máquinas e implementos agrícolas chegaram a R$ 1,92 bilhões, valor praticamente idêntico ao de 2016 e abaixo do esperado pelo Simers, que projetava crescimento de 10%. De acordo com o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, a explicação está no maior planejamento que o produtor rural está fazendo num ano de margens mais estreitas, comprando menos por impulso, o que tende a resultar em investimentos melhores. Ele também lembra que os números não são o mais importante da feira. “É impossível sair da Expointer sabendo o mesmo de quando entrou. Independentemente dos números, há um imensurável capital humano, que é o mais importante”, defende ele.
Pereira ressalta ainda que a maior parte dos negócios da pecuária não acontecem em Esteio, mas nas feiras do interior do Estado e remates particulares das cabanhas. “A Expointer é a vitrine genética. O produtor vem aqui para ver as tendências, os melhores cruzamentos, as melhores linhagens de cada raça”. Participaram das competições 3,2 mil animais de argola, de 88 raças.

Informação
O Sistema Farsul ainda esteve presente em vários pontos do Parque Assis Brasil levando tecnologia e informação a homens e mulheres do campo. A atração que teve maior fluxo de visitantes foi o Salão do Empreendedor, do programa Juntos para Competir - Farsul, Senar-RS e Sebrae/RS -, que teve parceria de Senai, Senac e Embrapa neste ano, em sua segunda edição.
Integrando o espaço, aconteceu pela primeira vez na Expointer o Jogo do Campo, do Senar-RS, transmitindo conhecimento “em pílulas”, nas palavras do superintendente da entidade, Gilmar Tietböhl, para milhares de pessoas. Outra ação de destaque foi o estande da Pecuária Digital, que apresentou tecnologias precisas para o setor. A entidade ainda promoveu oficinas de guasqueiro, participou de concurso de velos, em parceria com as associações de raças Ideal, Corriedale e Merino Australiano, e atendeu institucionalmente aos visitantes.
A Vitrine da Carne Gaúcha completou uma década na Expointer, ao realizar 31 oficinas de desossa de carcaças de bovinos, bubalinos, ovinos e suínos, sugerindo ainda modos de preparo da carne, em oito dias.
Já a Casa Rural promoveu atendimentos em espaço próprio na feira, impulsionando a divulgação comercial de seis empresas parcerias.
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