Notícias da Farsul
 
10/08/2017 - 20:00:00
Jovens em Campo debate saídas para crise no meio rural
 
Investir em alta tecnologia, armazenar e comercializar o produto quando o mercado estiver favorável, nunca descuidar da qualidade na produção, manter relacionamento saudável com a indústria, pensar a lavoura com base no que o cliente pede, caprichar na escolha dos insumos e ter uma gestão na ponta do lápis. Essas foram algumas das dicas que cinco produtores rurais de excelência passaram a mais de 300 jovens agricultores e estudantes a segunda edição do “Jovens em campo: semeando ideias, colhendo conquistas”, realizado pelo Sistema Farsul, por meio da Comissão de Jovens Empresários Rurais da Farsul. O evento aconteceu nesta quinta-feira (10/8), no auditório Flávio Miguel Schneider, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
O cerne da programação foram os depoimentos, que representaram as cinco culturas mais importantes do Estado: soja, arroz, milho, trigo e pecuária. Eles aconteceram logo após a apresentação de um estudo sobre rentabilidade elaborado pela assessoria econômica do Sistema Farsul. O material indicou que, enquanto a sociedade gaúcha é favorecida com sucessivas safras recordes de grãos, o mesmo não se pode dizer da maior parte dos agricultores e pecuaristas, que enfrentam disparada no custo de produção, baixas nos preços das commodities e, consequentemente, queda no retorno financeiro da atividade.
Não é o caso de todos, como as palestras bem mostraram. “A saída da crise é criar alternativas”, afirmou, em meio ao evento, o presidente da Comissão Jovem da Farsul, Luís Fernando Pires. O primeiro depoimento foi do engenheiro agrônomo e produtor rural, Narciso Barison Neto, um dos precursores da agricultura em Vacaria, ainda na década de 1960 - que tem hoje como carro-chefe a soja. Ele conta que, desde então, houve avanços inimagináveis em maquinário, mão-de-obra, plantio e aplicação de defensivos agrícolas na propriedade, entre outros fatores. Em certo momento da palestra, falou sobre o peso da escolha correta dos insumos na produção tem para o mundo: "A maior arma mundial não é a bomba atômica, mas a fome. A fome se combate com alimentos, e quem controla as sementes que geram o alimento controla o mundo". Também apontou a importância de investir na estrutura da propriedade. "Quem não armazena o que produz, não é dono do que tem."
A seguir, o engenheiro agrônomo, produtor rural e presidente da Fecoagro, Paulo Pires, defendeu que a diversificação na cultura do trigo e o investimento em tecnologias e aumento da produtividade são as melhores maneiras de superar os recorrentes problemas de comercialização da cultura. “Nunca se importou tanto trigo como neste ano”, lembrou ele.
A terceira palestrante, a médica veterinária Fernanda Costa Beber, de apenas 26 anos, contou como é o trabalho na propriedade da família, a Fazenda Pulquéria, de São Sepé, que adota o sistema de autoconsumo e tem como prioridade a carne premium. “O clichê é verdadeiro: é o olho do dono que engorda o boi. Não podemos prever como estará o mercado depois da porteira. A viabilidade do negócio pode estar antes ou dentro dela”, afirmou a jovem, que defende que a preocupação não deve estar no número de cabeças, mas na quantidade de quilos do rebanho. Outro ponto abordado foi a relação com a indústria. "Não se trata frigorífico como inimigo, é preciso aproximação. Não se pode ser inimigo do cliente", disse.
O produtor de arroz em Pelotas e conselheiro do Irga, Fernando Rechsteiner, defende que o arrozeiro gaúcho deve comercializar a produção, e não apenas vender. “O ideal é comercializar, no mínimo, 60% da safra no segundo semestre”, afirmou ele, responsável pelo quarto painel de culturas do evento. Ele justificou, em números, que os investimentos em secadores, silos e armazéns apresentam alto retorno para o agricultor. Rechsteiner ainda colocou como “fundamental” a manutenção da exportação de arroz em casca em Rio Grande, por ser uma alternativa interessante de escoamento do grão.
Referência no cultivo de milho irrigado, o produtor Rafael Moreno, de Santo Ângelo, fechou os painéis dizendo que compensa investir, há 12 anos, no uso de pivôs na propriedade, por conta do acréscimo na produtividade e na renda. “Chegamos a produzir 260 sacos por hectare com pivôs de irrigação. Sempre vale a pena investir em tecnologia, e existem linhas de crédito que possibilitam a presença delas na propriedade. O investimento é grande, mas o retorno é garantido.”
Ao final das palestras, houve um painel de perguntas aos cinco produtores com a mediação do vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, que lembrou que "Mesmo com as dificuldades, o Brasil de hoje é outro de 40 anos atrás. Imaginem daqui a quatro décadas como será e o que vocês podem fazer por isso. Só tem um jeito de crescer, com muito trabalho", disse. O evento ainda contou, na parte da tarde, com a apresentação do software de gestão agrícola Aegro, por um dos representantes da empresa, e com uma palestra motivacional de Jean Rosier, da Perestroika.
Fonte: Imprensa Sistema Farsul
 
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